Seriam mais honestos os candidatos a cargos eletivos se, simplesmente, declarassem fazer o possível, caso eleitos, sem promessas mirabolantes e já tão enfadonhas. Se a oportunidade de mostrar-se e pronunciar-se, no rádio e na TV e por intemédio de outros meios, é um exercício de democracia e a melhor forma de fazer campanha, há que haver um mínimo de bom senso e de respeito às pessoas. Certos prometimentos são ridículos, porque sua execução não é fácil como a gratuidade das palavras, e muitos deles nem são coisas reclamadas pelo povo. Deveria ter outro tom a mensagem eleitoral, algo simples e palpável como o que se expõe e se discute em reuniões comunitárias. Não é diferente a relação de um candidato com os cidadãos, não havendo portanto necessidade de irrealismos e de adornos verbais fantasiosos. Por traz de microfones e de câmeras de televisão o candidato pensa-se protegido e com liderdade de jogar palavras aleatóriamente, porém está mais presente do que supõe. O nível dos concorrentes, especialmente às câmaras de vereadores, é sofrível, a tomar como base o conteúdo do que dizem, e tal ocorre porque é pequeno o número de pessoas mais qualificadas que se habilitam. Estas, na maioria, resistem a ingressar no universo político, por considerá-lo não muito purificado. Dessa forma, não contribuem para modificar tal realidade e vão dando chance aos menos habilitados e aos oportunistas. A listagem da filiação partidária tem pouco refinamento político e as pessoas com melhor formação de cidadania são justamente as ausentes, ressalvadas obviamente as valiosas exceções. Os partidos não têm critérios rígidos de admissão, aceitando todos os que se apresentam, porque desejam a robustez do número e da consequente representatividade. Mas se este é o quadro, os partidos deveriam, nos intervalos das eleições, transformar-se em escolas políticas para oferecer ao candidato, ao menos, uma mínima formação que o habilite a melhor apresentar-se ao eleitorado e, naturalmente, prepará-lo para, se eleito, exercer o cargo com conhecimento e responsabilidade. Pouco existe de diferencial entre um partido e outro, e no geral há um nivelamento por baixo, raiando à baixaria, porque não há clareza em suas propostas e sim uma evidente prevalência para o ataque aos adversários, com o fim de desestabilizá-los e desacreditá-los perante a opinião pública.

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