Projeto vitorioso
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de setembro de 2002
Gilberto Linhares 
A coleção ''Anjos de Branco'', já com quatro obras publicadas, é uma incursão ousada e absolutamente original do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) na área da cultura. Concebida com o objetivo de mostrar à sociedade a enfermagem como profissão e a figura do enfermeiro, não é apenas uma coleção de romances; é um conjunto de obras que, ao entrar na história de uma categoria injustiçada de trabalhadores, passa também a ser parte integrante da história da literatura brasileira.
O Cofen só se decidiu pelo projeto depois de consulta feita a 129 países com assento no Conselho Internacional de Enfermeiros, com sede em Genebra, Suíça, cuja resposta foi surpreendente. Em nenhum deles há livro editado, romanceado ou não, que tenha a enfermagem como tema ou o enfermeiro como personagem central.
Não foi tarefa fácil atrair para essa causa escritores do porte de Antonio Olinto (A dor de cada um), Arnaldo Niskier (Maria da Paz), José Louzeiro (Ana Néri, a brasileira que venceu a guerra) e Carlos Nejar (Guilhermina, enfermeira e tia da república), cujas obras já foram editadas, além de Marcos Santarrita, Paulo Coelho e Nélida PiÀon, com trabalhos em fase de preparação.
Escusado dizer o quanto essa projeção do seu trabalho e de sua carreira tem emprestado ânimo novo a uma categoria que só agora começa a sentir-se valorizada, após longo ostracismo. É o caso de indagar: onde esse estado de espírito irá refletir-se senão na melhoria do atendimento prestado à população?
São, os profissionais de Enfermagem, 900 mil em todo o Brasil, caminhando para um milhão. E quase 30 milhões em todo o mundo. Este é apenas um dado a atestar o poder multiplicador dessa coleção. Sem mencionar que o romance de Antonio Olinto, por exemplo, tem versões garantidas para o romeno e para o sueco. E quando se tem a certeza da divulgação dessas produções literárias em todos os países de língua portuguesa, é legítimo concluir que se trata de um projeto feito para ultrapassar - e na realidade já ultrapassou - as fronteiras do Brasil.
Não se trata, como alguns desinformados já insinuaram, de um projeto corporativo, voltado apenas para a valorização de um segmento profissional. É, sim, o resgate de um mérito que ninguém, em sã consciência, negaria ao enfermeiro, mas que precisava sair da obscuridade para a luz meridiana do reconhecimento público. Um propósito, graças a Deus, muito bem compreendido pelos escritores integrantes dessa coleção, que souberam associar o objetivo da homenagem à classe dos enfermeiros a uma contribuição respeitável à nossa literatura.
GILBERTO LINHARES é presidente do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN)


