O Brasil pode ganhar dois novos Estados. Com um plenário vazio (apenas 80 dos 513 parlamentares estavam presentes), a Câmara Federal aprovou semana passada a realização de plebiscito no Pará para a criação de duas novas unidades da Federação: Carajás e Tapajós. A votação tem um prazo de seis meses para ser realizada.
  Entretanto, o que nós tempos a ver com isso? Simples, a conta será dividida por todos os brasileiros. Projeção feita por um economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a pedido de um portal de notícias, mostra que os novos Estados teriam um custo conjunto de manutenção de mais de R$ 5 bilhões. Levando em consideração a arrecadação prevista, haveria um deficit de R$ 2 bilhões, que teriam de ser cobertos pela União.
  Além disso, a mudança no mapa brasileiro respingará no Senado. Se Carajás e Tapajós forem criados, a Casa terá seis novas vagas - hoje são 81 cadeiras. Na Câmara, haveria uma redistribuição das 513 vagas, sem aumento no número de deputados.
  No âmbito regional, os novos Estados exigiriam novos Executivo, Judiciário e Legislativo, poderes que demandam estruturas física (prédios, veículos e equipamentos) e administrativa (governadores, secretários, servidores, juízes, promotores, deputados e assessores). Um gasto absurdo quando a ordem deveria ser o enxugamento da máquina pública.
  E o pior, há outros quatro projetos em tramitação na Câmara para criação de novos Estados: Gurgueia, no Piauí; Mato Grosso do Norte, em Mato Grosso; Rio São Francisco, na Bahia; e Maranhão do Sul, no Maranhão.
  O Congresso vem reclamando nos últimos dias que seu papel de legislar vem sendo reduzido por sucessivas decisões judiciais (a chamada judicialização da política). O caso mais recente ocorreu na semana passada, quando o Supremo reconheceu os direitos de casais homossexuais.
  Além de reclamar, os ilustres deveriam pensar melhor na pauta de votações, aprovando assuntos que realmente interessem toda a sociedade, e não beneficiem apenas a própria classe política.

mockup