PROJETO PILOTO - Revolução no tratamento do lixo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Maringá produz diariamente 300 toneladas de lixo, e apenas 10% do lixo reciclável é separado pelas cooperativas. O restante é levado para o aterro municipal e permanece lá, até se decompor. Para agilizar este processo, a prefeitura fechou parceria com o consórcio alemão Biopuster para instalar na cidade uma usina de aceleramento de decomposição. O secretário municipal de Serviços Públicos, Diniz Afonso, explica como o serviço irá funcionar.
Como começou a negociação entre prefeitura e Biopuster e quais são os termos do contrato?
O prefeito Silvio Barros conheceu um representante de várias empresas alemãs no período que trabalhou no ministério do Turismo do governo Federal. Desde então várias negociações foram feitas antes de acertarmos o negócio. A prefeitura fez um termo de cooperação técnica com o consórico Biopuster. Estamos fazendo a parte de infra-estrutura no aterro controlado do munícipio, que envolve cerca de R$ 400 mil para terraplanagem e estrutura elétrica do local. A Biopuster está importando da Alemanha os equipamentos para o tratamento do lixo, com um gasto de R$ 2,7 milhões. Esse termo é para a implantação de um projeto piloto para tratamento de lixo.
Em que consiste essa tecnologia?
Hoje o lixo recolhido é levado para o aterro, basculado, depositado e recoberto. Tem até lixo reciclável no meio. A Biopuster faz um tratamento com oxigênio comprimido. São aparelhos que acondicionam o lixo e injetam oxigênio, o que acelera o processo de decomposição da materia orgânica.
O serviço não envolve nenhum trabalho sobre o lixo reciclável?
O reciclável é equivalente a 20% de todo o lixo. Das 300 toneladas, 60 toneladas são consideradas recicláveis. Hoje reciclamos cerca de 6 toneladas por dia. O restante vai para o aterro. Implantamos a coleta seletiva no ano passado e queremos ampliar esse trabalho, aumentando a área de recolhimento. Hoje temos 160 catadores, unidos em seis usinas de cooperativas, e mais uns 200 que trabalham de maneira informal. A Biopuster irá contratar, de acordo com indicação das cooperativas, cerca de cem funcionários que irão separar o lixo antes que ele passe pelo tratamento com o oxigênio.
Mas a empresa não recicla o lixo? As cooperativas estão bastante apreensivas com a possibilidade de perder mercado...
O trabalho da Biopuster com oxigênio serve apenas para matéria orgânica. Isso já foi esclarecido. O projeto de parceria foi aprovado por unanimidade na Câmara, com apoio inclusive de um vereador que representa os interesses dos catadores. Depois do tratamento, o material volta para o barracão para separar o humos, que será usado como fertilizante, e outros materiais duros, como vidro e plástico. O que sobra, que é a matéria inerte, é levada para ser recoberta no aterro. Esse trabalho não compete com a reciclagem.
Qual a vantagem de todo esse processo?
Ele elimina 70% do volume do lixo. Isso aumenta a sobrevida do aterro. O tempo de decomposição também é reduzido pelo oxigênio.
Há risco ao meio ambiente?
Não, pois o lixo é confinado em células de piso de concreto armado. Na decomposição realmente acontece um aumento da produção de gás metano. Segundo a empresa, esse gás é recolhido e pode ser queimado ou reaproveitado, não é liberado na atmosfera. Já temos liberação do IAP, que acompanhará o processo.
Por que a empresa vai investir tanto dinheiro nesse projeto?
Maringá servirá como vitrine. Ela está investindo para entrar no Brasil com essa tecnologia.
Existe previsão para o início do trabalho?
O objetivo é que comece a funcionar ainda este ano, até novembro, para termos uma primeira avaliação de resultados em dezembro.


