Projetar o futuro, sem esquecer o passado
Vinte e um anos depois de sua criação, o PT está maduro e preparado para o desafio de governar o País. O partido demonstrou que os trabalhadores também sabem governar e fazer política. Quebramos uma lógica estabelecida pela elite dominante que sempre controlou os partidos e que reservava para si o direito de definir os rumos da Nação.
Fomos contra a farsa do Colégio Eleitoral de 1985, elegemos Lula o deputado federal mais votado de toda a história, polarizamos a disputa nacional nas três últimas eleições. Ganhamos e mantemos o governo em várias prefeituras e Estados, implantando projetos que priorizam a área social, a participação popular e o cuidado no trato da administração pública. Nossos parlamentares se destacam em todas as Casas Legislativas do País.
Além disso, participamos ativamente de todas as lutas democráticas e populares empreendidas neste período. Diretas-Já, impeachment de Collor, marcha dos cem mil, criação da CPI da corrupção, entre outras. Conservamos nossos princípios, lutamos todos os dias para manter nossa coerência. Mas precisamos ficar atentos e vigilantes para impedir que práticas tradicionais da política se infiltrem em nosso partido e minem nossa forma de atuação.
A história da construção do PT em nosso Estado não foi diferente. E os paranaenses já deram mostras nas eleições de 2000 que também desejam ter aqui uma nova maneira de fazer política. Estivemos próximos de vencer a eleição em Curitiba e ganhamos as prefeituras de Londrina, Ponta Grossa e Maringá, elegemos prefeitos em outras sete cidades, vices e vereadores em inúmeras outras.
A sociedade paranaense adotou o PT como um contraponto à política desastrosa implementada pelo governo Lerner. Temos um compromisso inarredável com esta onda de clamor e de esperança que varreu a corrupção das prefeituras destas grandes cidades paranaenses. Por isso mesmo, o PT não pode abdicar do compromisso de ter um candidato próprio ao governo do Estado em 2002.
Quero assumir aqui um compromisso com o partido: vamos convocar uma prévia para que os filiados decidam se o PT vai ter candidato próprio ou se devemos apoiar um candidato a governador de outro partido. Qualquer que seja a decisão dos filiados, o partido a acatará. O que a militância não aceita mais é que uma decisão tão importante para o futuro do partido e para o povo do Paraná seja tomada pelo diretório ou por um pequeno grupo de pessoas.
No exercício da presidência, vamos democratizar ao máximo as decisões, consultando os diretórios, vereadores, prefeitos e filiados para que participem delas. Além disso, nossa organização interna tem de ser ampliada, o fluxo de nossas informações tem de ser mais ágil. As finanças não podem mais continuar sendo um problema apenas de nossas direções e dos que ocupam cargos eletivos.
Entre os desafios para os próximos três anos estão a consolidação e implantação do partido em todos os municípios, a organização das eleições de 2002 e 2004 e o apoio às lutas populares e sociais, que são instrumentos importantes de transformação da sociedade.
O PT precisa qualificar sua intervenção política, apostar na formação dos filiados e das direções dos que ocupam cargos públicos. Nossos prefeitos, vices e vereadores devem ser constantemente subsidiados e acompanhados em suas ações nos municípios.
Vamos visitar cada diretório e dialogar com os filiados. Eis uma tarefa que nos propomos a cumprir. Aliás, é o que temos feito nos últimos anos. Estivemos em todos os municípios onde o PT existe. Como presidente, vamos intensificar estes contatos e aprofundar a relação da direção estadual com as bases.
Somos conscientes dos grandes desafios que virão. E estamos preparados para vencê-los. Vamos construir, cada vez mais, um PT forte, coeso e democrático. Só com um partido forte e organizado conseguiremos implementar e construir uma sociedade fraterna e solidária, clamor de milhões de paranaenses e brasileiros.
- PADRE ROQUE é deputado federal e disputa a presidência do PT do Paraná





