Proibir o VGD não é a solução
Ora, a violência entre torcidas organizadas não é uma exceção em Londrina
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terça-feira, 29 de julho de 2025
Ora, a violência entre torcidas organizadas não é uma exceção em Londrina
Folha de Londrina 
A Squadra Sport, dona da SAF (Sociedade Anônima do Futebol), assumiu o futebol do LEC (Londrina Esporte Clube) em 2024 e vem fazendo um trabalho de reestruturação da equipe. E um dos principais trunfos para resgatar o amor do torcedor ao Londrina foi reativar o VGD (Vitorino Gonçalves Dias), estádio central que está na memória afetiva do londrinense. Repaginado, o estádio passou a receber partidas na Série C (terceira divisão) do Campeonato Brasileiro e está trazendo o público de volta aos jogos. Prova disso são a ótima campanha do LEC - mantém-se invicto em casa e na terceira colocação - e a boa média de público de 4.879 pagantes por jogo (a sexta melhor na competição).
Em oito jogos disputados no torneio, não foram registrados casos de violência dentro do estádio. No último sábado (26), na partida diante do CSA-AL, a PM (Polícia Militar) informou ter havido diversos confrontos entre torcedores do LEC e do time alagoano em diferentes pontos da cidade. Surpreendentemente, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Ricardo Eguedis, afirmou em comunicado que “a autorização do uso do VGD para estes eventos esportivos deve ser reavaliada”.
Na fala do militar, é possível filtrar a intenção de interditar o estádio. A alegação é que os policiais não podem utilizar bombas de efeito moral para contar a briga entre torcedores em razão de a Maternidade Lucilla Ballalai estar localizada justamente nos fundos do VGD. Ora, a violência entre torcidas organizadas não é uma exceção em Londrina. Ela ocorre de Norte a Sul do país e está ligada a diversos fatores. E, em especial, nos arredores de grandes estádios nas capitais.
As autoridades de segurança devem se debruçar sobre o tema violência das torcidas organizadas e, a partir daí, traçar estratégias para conter os brigões, usando a inteligência para prevenir possíveis confrontos marcados pelas redes sociais. Além de prender quem usa o futebol como subterfúgio para criar confusão e brigas, é preciso punir e banir dos estádios obrigando a comparecer à polícia em dias de jogos.
A Inglaterra já enfrentou no passado sérios conflitos em seus estádios com os chamados hooligans. O mais grave deles foi o chamado "Desastre de Heysel", no qual 38 pessoas morreram. Isso resultou na reformulação total do futebol inglês. Adotou-se reforma dos estádios e a identificação e banimento dos torcedores violentos dos jogos. Os clubes também reforçaram a segurança interna. Hoje a Premier League reúne os melhores jogadores do mundo e possui a maior audiência.
A reativação do VGD envolve outras questões que vão além de aproximar mais ainda o LEC da torcida. Dar novamente vida ao estádio histórico da cidade também é uma forma de valorizar o centro de Londrina e atrair investidores para uma região icônica. Que as forças de segurança encontrem formas de prevenir episódios de briga de torcida, como mencionado acima, mantendo a autorização para os jogos no Vitorino Gonçalves Dias.
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