País em franca ascensão entre as nações mais ricas do mundo - nossa economia galgou este ano o sexto posto no ranking mundial -, o Brasil é imenso canteiro de obras. Potencializado pela Copa do Mundo de 2014 e pelas Olimpíadas de 2016, o boom construtivo nacional não só ajuda a incrementar a arrecadação de impostos como também cria um sem-número de postos de trabalho. A construção de hidrelétricas, a transposição do Rio São Francisco, a reforma e a ampliação de aeroportos e metrôs também ajudam a turbinar a procura por mão de obra.
São obras gigantescas que exigem atenção quanto à segurança do trabalhador. Reportagem de hoje desta FOLHA mostra que o número de acidentes de trabalho cresceu 92% em uma década. Segundo o Ministério da Previdência Social (MPS), no ano 2000 foram registradas 363.868 ocorrências. Em 2010, o número de acidentes com trabalhadores saltou para 701.496. Em contrapartida, houve redução de 40% no registro de óbitos de trabalhadores, de acordo com dados do MPS: se em 2000, 4.488 morreram vítimas de acidentes, em 2010, foram registrados 2.712 óbitos.
O emprego de novas tecnologias, a conscientização dos empresários quanto às normas de segurança aliada ao rigor da lei, são fatores que ajudam a explicar a sensível redução das mortes por acidente de trabalho. No entanto, as estatísticas da Previdência Social mostram que o país tem um longo caminho a percorrer no tocante à melhoria da segurança do trabalhador.
Cada trabalhador afastado das funções por longo período gera um alto custo ao País. Dados da Previdência apontam que são gastos anualmente mais de R$ 70 bilhões com acidentes de trabalho. Somente com a concessão de auxílio-doença, auxílio-acidente e aposentadorias por invalidez o governo federal despende por ano cerca de R$ 10,7 bilhões. A falta de estrutura do setor responsável pelas perícias médicas empurra ainda o trabalhador a uma via crucis interminável e, mesmo apto, ele mantém-se afastado da função.
Os números impressionam e indicam que é preciso ampliar as campanhas de prevenção de acidentes de trabalho. Se o Brasil carece cada vez mais de obras que atendam às demandas da população por infraestrutura e serviços, o país também não pode prescindir da saúde do trabalhador.

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