O que se espera dos candidatos do segundo turno - para a Presidência da República e para o Governo do Paraná - são seus programas governamentais e não ataques e contra-ataques. E mesmo esses projetos precisam ser pertinentes e consistentes, sem mirabolâncias e coisas impossíveis. O povo não quer propostas generalizadas, mas específicas, que sejam realizáveis dentro da disponibilidade orçamentária e das possibilidades político-administrativas. Como governar é também acionar a vontade política - que dispensa o uso de dinheiro e só requer inteligência, estratégia e disposição - espera-se ouvir dos candidatos o que eles se dispõem a fazer. Denúncias de corrupção são sempre um prato cheio nas campanhas eleitorais, especialmente as majoritárias, mas estas o eleitorado já as conhece e está farto de lê-las e ouvi-las nos veículos de comunicação. No caso do Paraná, estão aí, desafiadores, problemas que merecem inadiável atenção de quem ocupar o trono do Palácio Iguaçu na próxima temporada. Um deles o desemprego, que se combate pela implantação de infra-estruturas de desenvolvimento, no que o Governo pode cooperar pela adoção de políticas pertinentes. Na continuidade, está o correlato mal da violência representada pelos atentados contra o patrimônio alheio e pelo tráfico e consumo de drogas, que se são problemas de abrangência nacional, podem contar com projetos de ação mais intensificada também na esfera estadual. A conservação e a segurança das estradas reclama atendimento constante, porque por elas escoa a produção agrícola e o fluxo dos transportes no geral. Entra aí também a complexa questão do pedágio, que se está aprisionada a contratos e não se resolve por decreto, não dispensa estudos para atenuar o problema ou mesmo a mobilização dos usuários para reações mais corajosas, porque a ação popular é capaz de remover montanhas. Os problemas do porto de Paranaguá têm frequentado as páginas dos jornais e não pode ter pontos de estrangulamento. É preciso melhorar a gestão das universidades estaduais; impedir, pela melhoria de salários, a fuga dos bons pesquisadores do Instituto Agronômico; reequipar escolas e instituições de saúde, entre estas o Hospital Universitário de Londrina, que é uma extensão do curso de medicina da Universidade Estadual mas se converteu num centro de socorro de doentes carentes de todo o Estado. É sempre possível expurgar gastos descessários com a máquina pública, de forma a que sobre mais dinheiro para os atendimentos sociais e as obras prioritárias. O litoral tem seus problemas, e como é zona turística interessa a todos os paranaenses. Do futuro governador espera-se também que seja um bom negociador e tenha larga visão e liderança, capazes de mover as classes representativas do Estado e as bancadas parlamentares do Paraná em Brasília, para obter apoios e verbas da esfera federal. Se o Governo dá respaldo aos empreendimentos privados atende também à questão da pobreza, por isso a necessidade de políticas inteligentes geradoras de progresso econômico e social. É sobre estas coisas que se quer ouvir os candidatos falarem.

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