Pontal do Paraná – Uma parceria entre o poder público e a comunidade de Pontal do Paraná, no Litoral do Estado, está aumentando a expectativa da vida das pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade da região. Duas vezes por semana, um ônibus circula por todos os balneários da cidade rumo a Praia de Leste, levando os moradores para fazer atividades físicas. O programa, chamado de Passo a Passo, já tem um ano e meio e nesse período foi constatada melhora na qualidade de vida dos participantes.
A Secretaria de Saúde de Pontal do Paraná tem 630 pessoas cadastradas com problemas de hipertensão. Segundo a coordenadora da distribuição de medicamentos, Margara Bini Zeni da Silva, esse número tem aumentado a cada mês. ‘‘Em março havia 570 cadastrados, e em abril esse número pulou para 630’’, conta. A população de Pontal do Paraná é de 14,2 mil pessoas. ‘‘O problema é que a hipertensão e a diabetes são patologias silenciosas, e muitas pessoas não sabem quando estão doentes’’, completa.
A média de idade das pessoas que participam do programa Passo a Passo é de 50 anos e nem todas apresentam problemas de saúde. A atividade atrai também jovens que não podem pagar mensalidades em uma academia. Para o coordenador do programa, José Eduardo Caetano, a falta de opções de lazer no Litoral fora da temporada fez com que a procura pelo programa fosse grande. Entre 150 e 200 pessoas participam da ginástica realizada no Clube Santa Mônica.
O ônibus que sai todas as segundas e quartas-feiras de Pontal do Paraná e passa pela PR-412, até Praia de Leste, transporta até 80 pessoas por vez. ‘‘Pode estar chovendo, frio, mas é sempre assim, o ônibus fica cheião’’, conta a comerciante de 52 anos Azeni Regis Costa Lima, do Balneário Shangri-Lá.
Há apenas um mês que o programa Passo a Passo está sendo feito em Praia de Leste, nas dependências do Clube Santa Mônica. Antes disso, Caetano dava aulas nos próprios balneários, para grupos de 40 a 50 pessoas. Agora todas ficam reunidas no clube. Segundo Caetano, cada um precisa fazer um teste para determinar a frequência cardíaca ideal para fazer uma caminhada de 1,6 mil metros, na areia em frente ao Santa Mônica. O tempo de cada participante é cronometrado. O comerciante Luiz Riscarolli, de 67 anos, faz a caminhada há um ano e meio. ‘‘Antes eu levava 20 minutos para fazer as quatro voltas. Agora, quando ando sem preguiça, levo uns 14 minutos’’, relata.
Depois da caminhada, os participantes fazem alongamento e ginástica por uma hora, com pausas frequentes e acompanhamento de Caetano. ‘‘É preciso acompanhar de perto porque algumas pessoas que participam já tiveram derrames’’, diz. O programa conta com a ajuda de vários colaboradores. A enfermeira aposentada Leide Zuntini, coordenadora do ônibus, tira a pressão de todos os hipertensos a cada encontro. A cada seis meses, todos os participantes retornam ao posto de saúde para fazer testes de glicemia e colesterol. ‘‘Os testes mostram que houve melhora na saúde dos pacientes’’, afirma Caetano.

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