A privatização da Sercomtel (única telefônica municipal em operação no Brasil) tem sido assunto recorrente na última década aos londrinenses. Traumas à parte, não é novidade que a operadora tem registrado prejuízos anuais. Má administração, burocracia da gestão pública ou estrutura inchada, as justificativas são várias. No entanto, não se pode negar a necessidade de uma decisão séria para salvar a empresa, enquanto ainda representa algum ativo perante ao mercado.
Nesta semana, o presidente da Sercomtel, Christian Schneider, anunciou que o município de Londrina e a Copel (os dois sócios majoritários) avaliam buscar novos investidores por meio da venda de ações da empresa na Bolsa de Valores. Pode representar uma injeção extra de capital em mais um momento de dificuldades financeiras. Relatório da Agência Nacional de Telecomunicações feito em 2010 apontava para um prejuízo de R$ 87 milhões em prejuízos acumulados nos dez anos anteriores e R$ 94 milhões de perdas em patrimônio líquido.
São perdas bastante significativas para uma empresa de pequeno porte. Além de ter sido usada para fins políticos por várias administrações municipais, a própria estrutura da operadora é delicada. Na telefonia celular, a Sercomtel não consegue competir com as multinacionais que operam em território nacional. Planos mais vantajosos, aparelhos mais modernos e propagandas maciças acabam por atrair a maioria dos consumidores locais. Já na telefonia fixa, o momento também é de atenção porque o cenário mudou. O avanço dos aparelhos celulares tornou o telefone fixo obsoleto em muitas residências; no mercado corporativo, avanços da tecnologia permitem ligações a custo muito mais baixo do que o sistema tradicional.
É fato que é preciso pensar em novos negócios, em operar com uma estrutura mais enxuta. É necessária a implantação de um modelo de gestão mais profissional, conforme os padrões do mercado e da iniciativa privada. Não há como fugir desse modelo. Apesar da venda de parte das ações da Sercomtel para a Copel ter resultado em um dos maiores escândalos políticos da história de Londrina, a população precisa se informar e entender o novo cenário. A Sercomtel é um bem de todos e motivo de orgulho e, por isso, não se pode deixar que se deteriore.

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