Profissionais mais velhos significam lucro
No Brasil, profissionais com mais de 50 anos vão sendo despedidos, e não por causa da idade mas do salário que, por vir aumentando, acaba proibitivo para as empresas. Porque também o encargo fiscal é correspondente, neste país que tange a empresa e por extensão a classe trabalhadora, por conta dessa política e também pelo rigor excessivo da legislação trabalhista. E quanto mais tempo de casa tem o trabalhador, mais potencializa-se o valor de uma rescisão. A isto se soma a mão pesada dos que impõem os valores de uma indenização trabalhista. Com uma lei tão rígida e decisões implacáveis o sistema pune o trabalhador, pune a empresa e pune a causa do emprego.
Mas outra ''punição'' à empresa é que a prática de despedir os profissionais mais velhos e mais experimentados resulta em prejuízo, pela queda de qualidade de produção e do produto. Esta constatação não é aleatória mas resultado de pesquisa feita em 25 países pela consultora de recursos humanos Manpower - um levantamento que contou com a participação de 28 mil gestores. ''Está claro que as empresas ainda não perceberam a importância de levantar o porcentual dessa força de trabalho'' - declara o diretor-geral da Manpower no Brasil, Augusto Costa, em entrevista aos jornais e também publicada pela FOLHA.
Mas o desprezo pelos profissionais mais idosos não ocorre em todos os países, porque no Japão - demonstra esse levantamento - as empresas retêm todos os seus trabalhadores acima dos 50 anos de idade. E não por acaso é um dos países mais desenvolvidos do mundo e concorre pesadamente - em qualidade de produtos - com marcas tradicionais e domina muitos mercados. Automóveis de excepcional qualidade, produtos eletrônicos e equipamentos de precisão são alguns exemplos. Cerca de 80% das empresas japonesas têm programas de preservação desses profissionais. O que não ocorre nos Estados Unidos e no Brasil. ''Esta é uma questão cultural, por isso os japoneses valorizam os idosos. Existe um respeito muito grande pela sabedoria e experiência dos mais velhos'' - ressalta o diretor brasileiro da Manpower.
Porque, como a pesquisa demonstra, é natural que o profissional com mais de 50 anos já não tem disposição para chegar mais cedo e sair mais tarde. Então é preciso criar adequações para ele, porém nunca despedi-lo, pois preservá-lo representa lucro, comprovado pelo estudo. Além do bom desempenho profissional, esses experimentados trabalhadores são ótimos orientadores dos mais jovens. Certamente que no caso brasileiro será preciso reformular a Consolidação das Leis do Trabalho, de forma a até permitir baixa consensual de salário desse pessoal, para mantê-lo. Japão e Cingapura, por exemplo, têm legislações e programas de incentivo governamental nesse sentido. No Brasil, além de criar políticas de desenvolvimento econômico, é preciso perder o temor de flexibilizar a lei do trabalho e salvar o emprego para todas as idades.





