Profissionais de RH precisam ousar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
A área de recursos humanos - o conhecido RH das empresas, passa por um grande fenômeno. É o que garante Enio Resende, especialista em RH, que atua como consultor de grandes organizações e participa, no Brasil e no exterior, de programas de treinamento.
Em entrevista à FOLHA, Resende - que estará em Londrina na próxima terça- feira para o Encontro Paranaense de Recursos Humanos (ENPARH), afirma que, cada vez mais, as empresas estão despertando para a importância do RH. ''No ano passado, 80% das empresas que atendi eram de pequeno porte. Isso é um fênomeno'', atesta Resende, que é autor de 16 livros, sendo sete sobre competências.
Como o senhor avalia a situação atual do RH no Brasil?
As empresas, cada vez mais, estão tendo consciência da importância do RH. Mas os profissionais dessa área precisam ter uma visão sistêmica e não devem ficar presos às rotinas técnicas. É preciso mudar, modernizar, ousar e aperfeiçoar. Tudo ao mesmo tempo. Os dirigentes das empresas não têm um conhecimento profundo de RH e sim genérico. O RH, por sua vez, fica na rotina, no ''arroz com feijão''. Mas, as possibilidades de ousar são grandes.
Em que consiste essa ousadia?
Os treinamentos são muito convencionais. Eu acho que os treinamentos deveriam mexer mais com a cultura da empresa, com o desenvolvimentos das competências das lideranças e não simplesmente levar informações genéricas sobre liderança. No que diz respeito aos cargos e salários, o pessoal se limita a fazer a avaliação do cargo, construir uma tabela e implantar. Isso é uma solução burocrática, que não motiva nem valoriza as pessoas. Uma das áreas que mais necessita de aperfeiçoamento e ousadia é a de remuneração. Há 40 anos se faz a mesma coisa.
Além da ousadia, o que mais falta aos profissionais de RH?
Sou o maior propagador de competência no Brasil. Já publiquei sete livros sobre esse assunto tão novo. Na minha opinião, o profissional de RH precisa incentivar as empresas a desenvolverem competências. É preciso descobrir que o tema não é um modismo e sim algo que veio para ficar e mexer com as organizações.
Na sua opinião, o bom RH pode contribuir com o sucesso da empresa?
Primeiro, vale reforçar que um bom RH é o que moderniza, ousa e agrega valores. Esse RH pode ajudar a empresa a ter mais sucesso e lucro, trazendo maior produtividade e satisfação ao cliente. No entanto, infelizmente, muitas áreas não percebem que o RH pode dar essa contribuição e, às vezes, nem o próprio RH tem a consciência de que pode contribuir com a produtividade e satisfação do cliente. É preciso mostrar serviço para que essas grandes contribuições apareçam.
Nesse contexto, o que compete ao profissional de RH?
O RH está ampliando e modernizando, mas as funções são as tradicionais. O setor faz seleções, treinamentos, administra os salários e benefícios de carreira. Está acontecendo uma evolução mais qualitativa do que quantitativa.
Serviço
Com o tema central ''RH: Uma profissão de valor'', o ENPARH vai acontecer, em Londrina, na próxima terça-feira, dia 14, das 8 às 18 horas no Boulevard Higienópolis Hotel (Av. Higienópolis 199). Inscrições e informações pelo www.abrhnortepr.com.br.


