A maçã dada ao mestre, com carinho, é quase símbolo de um tempo que se foi. A realidade nas escolas brasileiras é outra, apesar de ainda se comemorar, em 15 de outubro, o dia do professor, um profissional cuja rotina é de batalhas diárias.
Desvalorização salarial, falta de condições físicas adequadas para se trabalhar e também de respeito e disciplina por parte dos alunos são apenas alguns dos problemas do cotidiano de um professor. Mas o pior: há unanimidade de que a educação é a base da formação do ser humano, entretanto poucos dão a esses profissionais a importância merecida.
Este conjunto de fatores negativos, porém, parece não desestimular os professores. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL) houve até um aumento no número de vagas do curso de pedagogia, para atender a demanda. Ao todo, são 160 alunos divididos em quatro turmas matutino, vespertino e duas no noturno. Isso porque, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, todos os professores do ensino médio em diante precisam ter o diploma de ensino superior até 2007, para continuar atuando na profissão.
No curso, os alunos descobrem que a pedagogia vai além da sala de aula. Segundo o coordenador do curso, Gilmar Aparecido Autran, ''a pedagogia ampliou o seu campo de atuação, ganhando espaço nas empresas e em setores comunitários''. A estudante do 3º ano Inayá Sampaio conta que entrou no curso porque sempre quis ser professora, mas descobriu que existem várias outras atribuições. ''Pretendo fazer psicopedagogia para trabalhar com as crianças'', revela. Segundo ela, a profissão pode não ser a mais valorizada, mas ''é uma questão de realização''. ''Se tivermos essa conscientização de fazer o que gostamos, vamos defender isso e valorizar o trabalho'', acrescenta.
Fernanda Hummel, do 4º ano, lembra que tentou passar no vestibular para psicologia e acabou desistindo dessa profissão. ''Decidi fazer pedagogia porque existem disciplinas relacionadas à psicologia e fiz uma boa escolha.'' Ela também quer se aprofundar na psicopedagogia: ''Gosto de trabalhar com crianças que têm dificuldade no aprendizado. Meu trabalho será satisfatório se eu conseguir ensinar essas crianças'', sonha.
A violência em sala de aula é outra dura realidade da profissão. Fernanda Hummel destaca que este é um problema que vem de casa. ''Isso se deve à não estruturação familiar. Crianças sem a figura de pai e mãe crescem sem respeito e quando chegam na escola acham que é a mesma coisa''. Eliane Foglia, professora e mestranda em educação pela UEL, afirma que ''a relação entre professor e aluno fica mais complexa a cada ano''.
Para o coordenador Autran, a inversão de valores do mundo atual provoca situações conflituosas no interior das escolas. ''O paradigma do respeito e da autoridade não é valorizado.'' Mas ele não é adepto à punição como solução, pois ''ela cria dificuldades no relacionamento entre professor e aluno'', justifica.
Algumas reflexões sobre a profissão estão levando a outras mudanças, desta vez benéficas. Gilmar Autran destaca que hoje há uma busca pelo resgate do papel do professor. ''Ele não é mais alguém em que o conhecimento está centrado e o trabalho não está mais direcionado de acordo com os valores que o professor julga certo''. A mestranda Eliane Folgia incentiva: ''As dificuldades profissionais existem em todas as áreas e isso não é motivo para desanimar. É preciso ter em mente a importância da profissão. Vale a pena.''

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