Profissão: professor - José Dorival Perez
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de outubro de 1997
José Dorival Perez 
Ainda hoje é comum relacionar a figura do professor como uma pessoa totalmente abnegada, desprovida de qualquer ambição ou necessidade material, que se dedica e se realiza inteiramente e altruisticamente no trabalho de educar, bastando tão somente para si o trabalho educacional. É a figura do professor-sacerdote. É a visão do professor simplesmente como uma pessoa cujo único pagamento por seu trabalho é o reconhecimento pela sua abnegação aos alunos. Qual o professor que não conhece aquele antigo conto, geralmente recitado nas homenagens de seu dia, do professor velhinho, debruçado na mesinha da sala de aula, enquanto os alunos brincavam e que, depois de um certo tempo permanecendo imóvel, verificaram que estava morto. Morrera docilmente ministrando aula.
Nesta época em que o computador faz parte do nosso dia-a-dia, que as televisões e videocassetes estão presentes até nas casas mais humildes, que foguetes já cruzam o espaço sideral e pousam no planeta Marte, começando a desvendar os segredos do universo, não é mais possível conceber a figura do professor apenas como uma pessoa de guarda-pó, giz na mão, quadro-negro na frente de vários alunos enfileirados, ouvindo o professor derramar sobre eles o seu saber. Não é mais possível também conceber a escola como um ilha completamente isolada da tecnologia dominante nos dias atuais. É necessário que a escola e o professor se integrem nesse processo. A escola readequando seus recursos didáticos com televisores e videocassetes em sala de aula, computadores com programas educacionais para facilitar o aprendizado de certos conteúdos ligados à Internet, possibilitando que o mundo se concentre naquela telinha. O professor buscando nos vídeos seu aprimoramento cultural e didático, utilizando-o em suas aulas, seja como motivação, conteúdo ou reforço de aprendizagem, buscando também no computador o seu aperfeiçoamento profissional, elaborando trabalhos didáticos para usá-los em suas atividades, ensinando alunos a manuseá-los, enfim, integrando-se à era tecnológica em que vivemos e estamos inseridos.
Escola, moderna e atual; professor, um profissional da educação. entretanto, é importante nunca esquecer o objetivo fundamental da profissão do professor: a educação de crianças e adolescentes; a participação direta na formação de sua personalidade e o desenvolvimento de suas potencialidades como fator de auto-realização. Nesse ponto juntam-se tecnologia e humanismo. Não façamos, no entanto, desta junção um conflito, mas antes uma união harmoniosa. É necessário, pois, que aprendamos a conciliar a tecnologia com o desenvolvimento das qualidades do ser humano, não fazendo deste um simples robô, frio e calculista. À par do uso e dos ensinamentos tecnológicos, uma educação voltada para a dignificação do homem, da valorização dos princípios éticos morais e religiosos.
O professor, hoje, deve ser aquele profissional que busca nos videocassetes a ampliação de seu saber, mas que se enternece ao entrar na sala de aula e receber o bom-dia sonoro e carinhoso das crianças. É aquele profissional que usa o computador para preparar suas aulas, porém vibra com os pequenos sucessos de seus alunos. É aquele profissional que navega na Internet à procura de aprofundamento do conhecimento e, entretanto, derrama lágrimas de emoção quando consegue recuperar um aluno no caminho do vício, do crime e da prostituição.
Neste dia 15 de outubro, quando é comemorado o seu dia, as homenagens merecidas. Os parabéns por ter o privilégio de poder responder orgulhosamente, quando lhe fizerem a pergunta: profissão?... PROFESSOR.


