Profilaxia insuficiente traz endemias de volta
O grau de desenvolvimento de uma nação se mede também pela eliminação de doenças endêmicas (as que ocorrem constantemente em determinadas regiões, ou num país inteiro), e no Brasil esses males estão longe de ser eliminados. Vacinações têm sido feitas, porém os casos de péssima sanidade ambiental, no campo e nas cidades, contribuem para tais moléstias. Um novo surto que agora surge é o da febre amarela, com várias mortes, principalmente em municípios gaúchos. E não apenas lá mas também no Norte do Paraná, especialmente na divisa com o Estado de São Paulo.
Mosquitos infectados são os agentes. Estão sujeitos à moléstia pessoas e animais, como os macacos bugios. Algumas dessas endemias já haviam desaparecido, no Brasil, ao menos temporariamente, mas retornaram, e isto demonstra que os cuidados de profilaxia não têm sido suficientes. Por isso a população também precisa prevenir-se, buscando a vacina (que tem validade de 10 anos) nos postos de saúde.
Verba pública para a prevenção existe em abundância mas a onerosa máquina governamental consome grande parte dela, e assim sobra menos para a saúde, para a moradia popular e fundamentalmente para o saneamento básico. Precárias condições de vida de numeroso contingente populacional - destacadamente a subnutrição e a convivência em ambientes infectos - induz à proliferação de insetos transmissores de males. Por insuficiência dessa prevenção básica, o custo social da medicina curativa torna-se alto. O Sistema Único de Saúde paga mal a médicos e hospitais, e por mais que os atendentes se desdobrem quando um paciente está internado, as consultas se tornam rápidas demais, por isso incompletas. Numa nação que se pode dizer doente, pelo grande número de pessoas que padecem de múltiplos males, o Governo deveria investir pesadamente na saúde preventiva. A doação mensal de dinheiro aos pobres (embora melhor que nada) não resolve problemas fundamentais. É óbvio que não é assim que se eliminam as deficiências sociais.
Os remédios são caros, embora os genéricos sejam mais baratos e também haja distribuição gratuita, mas neste momento em que o Governo baixa o ICMS sobre os medicamentos em 6%, a indústria farmacêutica os eleva na mesma proporção. Existe um organismo regulador de preços, que é a Câmara de Medicamentos, mas os laboratórios têm lobbies poderosos. Resumindo, em tudo no Brasil evidencia-se a ausência de controle e de grandes projetos para o bem-estar da população mais carente.





