A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior tem o 4º maior orçamento do governo do estado - R$ 1,034 bi. No entanto, trata com algumas das categorias mais mobilizadas da administração pública e enfrenta riscos constantes de greve. Ex-líder sindical dos professores da UEL, a atual secretária de Ensino Superior, Lygia Pupatto, enfrenta uma dura negociação com os sindicatos em torno de reajuste salarial. Nesta entrevista à FOLHA, a secretária abordou também a promessa de criação da Universidade do Norte Pioneiro (Uenp).

O salário base de R$ 960, para jornada de 40 horas, é adequado para um professor universitário, sendo que o piso dos funcionários técnicos é de R$ 1,8 mil, segundo o Sindiprol?
Existe vontade política do governo em resolver a questão salarial dos professores. Formamos uma comissão técnica com os sindicatos para estudar as possibilidades do orçamento. Agora, quero contextualizar: o salário base de R$ 960 refere-se aos professores recém-formados, sem qualquer título (de pós-graduação). Dos 6 mil professores de todas as nossas universidades, apenas 48 recebem esse salário. Temos 75% dos docentes mestres e doutores com vencimento aproximado de R$ 3,4 mil.

O governo está estudando qual índice será oferecido ou pode não haver aumento?
A intenção é chegar a um reajuste, mas não posso antecipar, porque não é a minha área. As secretarias responsáveis pelos recursos humanos e orçamento são Administração e Planejamento. O secretário de Planejamento - Ênio Verri - recém assumiu e estamos aguardando ele tomar pé da situação.

A senhora, que já foi presidente do Sindiprol, hoje recebe duras críticas do sindicato sobre a questão salarial. É mais fácil reivindicar reajuste ou concedê-lo?
(risos) Acho que são papéis diferentes e nenhum deles é fácil. Quando você é presidente do sindicato e tem a missão de defender os professores, sua responsabilidade vai até o salário da categoria. Quando você é um secretário, tem o compromisso de ver o estado mais globalmente.

O governo anunciou a criação da Universidade do Norte Pioneiro (Uenp) - que reúne as faculdades de Jacarezinho, Bandeirantes e Cornélio Procópio -, durante a campanha eleitoral, mas na prática ela ainda não existe. A quantas anda esse processo?
Para efetivá-la, precisamos montar os estatutos e obter aprovação do Conselho Estadual de Educação. Hoje, temos um grupo de trabalho em andamento com prazo até julho para organizar a instituição. No segundo semestre, queremos enviá-la para o Conselho e, em 2008, realizar o primeiro vestibular da Uenp.

Duas situações permanecem como marcas negativas de sua gestão na UEL: a queda da marquise do anfiteatro, que causou duas mortes, e o relatório de gestão, classificado como promoção pessoal...
Não concordo que minha administração tenha ficado associada negativamente à queda da marquise. Na época, todos os dados foram levantados e aquilo foi uma tragédia que acontece, infelizmente. A manutenção no prédio, que foi aventada como causa, não teve esse papel, segundo a comissão de investigação. E me lembro que, depois disso, o Instituto de Criminalística pediu mais tempo para fazer o relatório e agora não sei como transcorreu, já que saí da administração. A questão do livro, quem não viu pode achar que é auto-promoção. Não concordo. De 50 fotos, acho que apareço em três. Aquilo é apenas uma prestação de contas.

Alguns setores do PT consideraram desleal sua permanência no governo Requião durante a disputa eleitoral - que contou com o candidato do partido, Flávio Arns. Como está a situação atualmente?
Quando se confirmou que não haveria coligação PT/PMDB, fiz uma carta ao partido solicitando licença temporária para que ficasse mais à vontade nesse período. Hoje, temos uma convivência tranquila, isso já foi superado.

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