Professores que ganham mais dão menos aulas
Os professores que ganham mais são, em muitos casos, os que dão menos aulas. Os que estão no topo da carreira, os titulares doutores, dedicam-se preferencialmente a orientar pesquisas na pós-graduação. Graças a uma flexibilização da dedicação exclusiva, introduzida em 1988, tendem a empregar seu tempo e o prestígio da instituição para prestar serviços de consultoria na praça, embolsando pelo menos uma parte do pagamento.
O governo vinha corrigindo as distorções e incentivando os professores a darem mais aula por meio da GED, que varia de acordo com a produtividade. Segundo os cálculos da Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação, de 1995 a 2001, os professores tiveram aumento de até 68%, conforme a dedicação. A greve do ano passado interrompeu esse processo. Os grevistas rejeitaram a proposta do governo de reajustar os salários por meio da GED e exigiram aumento linear.
Apesar dos sinais de que algumas mudanças precisariam ao menos ser discutidas, uma barreira corporativa protege as universidades públicas de uma reforma. O governo promoveu reformas radicais nos ensinos fundamental e médio nos últimos anos, mas não conseguiu avançar no ensino superior. Enquanto o setor privado se mobiliza para atender à explosão de demanda decorrente do aumento das matrículas no ensino médio, as universidades públicas, sobretudo as federais, permanecem virtualmente estáticas.





