Professores, à luta
O Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina e Região (Sinpro), a exemplo das novidades políticas que surgiram nas últimas eleições municipais, está abrindo assembléia permanente de seus associados até as próximas negociações com a classe patronal que deverá ocorrer nos próximos meses.
A novidade marcante dessa forma de conduzir as aspirações da classe reside em ouvir constantemente e nos horários que forem possíveis ao associado todas as reivindicações que comporão a carta de intenções que deverá ser enviada para análise do outro sindicato, diferente do que acontece normalmente, onde em uma só assembléia, que nem todos podem participar, poucos acabam tendo que decidir o destino de muitos.
Lembro que nas últimas negociações, em sua primeira rodada, o sindicato patronal, muito embora já houvesse aumentado as mensalidades escolares, contrapropôs reajuste salarial de 0%, numa flagrante atitude de desrespeito aos profissionais da área que tem a nobre incumbência de instruir nossos filhos e prepará-los para um futuro mais suave diante da conturbada realidade social brasileira.
Tal fato foi amplamente divulgado pela imprensa na ocasião e acabou levando o sindicato patronal a voltar atrás e conceder o reajuste pleiteado, que embora não tenha representado qualquer aumento real, foi o melhor obtido nas negociações que ocorreram em sindicatos congêneres no Paraná.
Para os que vivem de seus salários em regime de economia com inflação, pequena, porém existente, e que por ela não são responsáveis, pois sua origem maior está na incapacidade oficial na gestão de suas finanças, não se pode deixar de restabelecer o nível desses salários, sob pena de se estar criando uma injusta e perversa situação. Essa é uma inquestionável e elementar verdade econômica e social.
Os professores das escolas particulares não podem se manter como meros espectadores das negociações que ocorrem entre os dois sindicatos. Eles devem começar desde agora a mostrar que a exploração do trabalhador brasileiro deve ter data marcada para acabar e que a classe precisa de melhores condições de vida para poder transmitir conhecimentos modernos que habilitem os ouvintes a enfrentar tão graves problemas sociais que se alastram como perigoso incêndio pelo Brasil afora.
Enquanto as instituições familiares representam o conduto pelo qual a pessoa inicialmente é inserida na sociedade, os professores completam o processo de socialização e, até certo ponto, moldam-na para a vida social. Em sua dimensão teológica, a educação deve ser entendida como um processo complexo e integrado não apenas voltado para o indivíduo, como também para a sociedade, principalmente aquela que deve ser cuidadosamente pensada e construída como a nossa.
É preciso que se entenda que o objetivo de uma assembléia aberta não é de angariar propostas impossíveis e que acabem por prejudicar o bom andamento das instituições de ensino caso aprovadas pelos empresários, mas sim e principalmente dar início a um sério processo de reconhecimento do professor por essas instituições como a principal fonte geradora de recursos que ajudarão a construir o progresso da Nação.
Não deixemos que nossa classe seja desrespeitada nunca mais pelos exploradores que nos atiram as migalhas enquanto se regalam em festas grandiosas em suas mansões, compra de fazendas e ampliação de seus dotes financeiros à custa daquele que se dedica a construção de uma sociedade melhor para todos. O seu sindicato está proporcionando a oportunidade de se opor contra as injustiças praticadas diariamente contra uma classe que nunca exigiu riquezas, mas merece respeito profissional e reconhecimento pessoal. Portanto, senhores professores de Londrina e região, vamos à luta! Procurem imediatamente o seu sindicato.
- RICARDO PROCHET é administrador de empresas, professor universitário, consultor de empresas e diretor-secretário do Sinpro em Londrina





