Quem são as mulheres que trabalham como prostitutas em Londrina? Durante um ano a antropóloga Liana Reis dos Santos buscou essa resposta pesquisando, convivendo e entrevistando as ''mulheres de programa'', como elas próprias se denominaram, de uma praça central da cidade, que a pesquisadora prefere não identificar.
Descobriu nesse grupo da praça algumas particularidades que a diferenciam de outras mulheres que exercem a mesma atividade em bares e hotéis de Londrina e até em outras cidades. Como a discrição não usam maquiagem ou roupas extravagantes que as identifique como prostitutas, o horário de trabalho durante o dia, e o ato de escolher os clientes á preferem os mais velhos, idosos com idade acima de 60 anos, e repudiam os jovens que não as tratam com carinho. ''Pelas roupas e modos são as próprias donas-de-casa sentadas na praça descansando. Ser dona-de-casa é um status de prestígio'', afirmou Liana.
A dissertação de mestrado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o título ''Sinalizando Fronteiras: A Casa e a Rua. Etnografia e Imaginário das 'Mulheres de Programa' da Praça em Londrina'', foi concluída no ano passado. Liana traçou o perfil principal dessas mulheres: ''são prostitutas, mas 'fingem' não o ser''. E estão nessa atividade, segundo Liana, ''temporariamente'', apesar de algumas exercerem a profissão há mais de 10 ou 15 anos. ''Algumas não se sentem prostitutas'', disse.
A monografia do mestrado deu continuidade a pesquisa iniciada na especialização, em 1998, quando a antropóloga traçou o perfil sociológico dessas mulheres: a maioria tem idade entre 30 e 47 anos, quase todas sem marido e oriundas do meio rural, com pouca ou nenhuma escolarização. ''A maioria dependendo quase que exclusivamente do programa, que vai de R$ 5,00 a R$ 20,00, no máximo''. Se na rua, essas mulheres são alegres, sorridentes e descontraídas, em casa são sérias, responsáveis em cuidar da casa e dos filhos. ''E para as filhas não desejam o mesmo destino, por isso fazem questão que elas estudem''.
Além de retratar a dupla personalidade dessas mulheres, em casa e na rua, um dos objetivos da pesquisa foi entender porque apesar dessas mulheres estarem recebendo orientação para utilizar práticas de sexo seguro, como o uso de preservativo, não o fazem em algumas ocasiões. ''Apesar de terem conhecimento sobre o corpo e dos riscos que correm, como quaisquer outras mulheres essas deixam de usar o preservativo quando se interessam afetivamente pelo cliente. Seria uma forma de conquistar um possível parceiro'', explicou a antropóloga.

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