Em dois anos, os professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) que não se esforçaram para receber o valor do Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (TIDE) podem perder o benefício. Esse regulamento foi criado em março deste ano pela UEPG, que desde 1997 utilizava os critérios básicos previstos pela lei – como a permanência no câmpus por pelo menos 40 horas semanais – para pagar os recursos aos docentes.
Com novas regras, o controle da concessão do benefício deixou de ser feito por uma comissão permanente para ser administrado por um conselho de administração, controlado por cada departamento da UEPG. ‘‘Acredito que os departamentos podem fiscalizar melhor quem está ou não cumprindo a regulamentação’’, opina o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Estabelecimentos de Educação de Ensino Superior de Ponta Grossa (Sintespo), Antônio Tomal.
Uma das exigências recém-implantadas é a necessidade de atingir uma pontuação mínima para que o Tide seja mantido. A avaliação será feita por cada setor da universidade em 2002. A participação em bancas examinadoras, congressos e simpósios e o tempo dedicado à pesquisa são algumas das iniciativas que contam pontos a favor dos professores.
Outra regra os obriga a buscar constante especialização, frequentando cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado. ‘‘Não acho que ficou mais difícil de manter o Tide. O trabalho da comissão permanente era muito sério. Mas as novas regras representam uma evolução do processo’’, comenta o chefe da divisão de recursos humanos da UEPG, João Lubczyk.
O não-cumprimento da dedicação exclusiva à universidade está sendo questionado por alunos da UEPG, que preferem não citar nomes de professores suspeitos de manter atividades paralelas. Segundo o estudante de letras Adriano Harhmann, coordenador de assuntos políticos do Diretório Central do Estudante (DCE), o Tide está na pauta das próximas reuniões da entidade.
‘‘Vamos começar a levantar informações e tentaremos descobrir se há professores que não cumprem as regras. Acho que vários deles continuam atuando fora da universidade, mas não temos certeza’’, diz Adriano. De acordo com Lubczyk, se os departamentos conseguirem dados provando algum caso de desmerecimento do Tide, a universidade irá abrir um inquérito administrativo para apurar o caso.

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