Professor: profissão-depressão
Muito se fala, hoje, em melhorar o ensino, de subir as notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas não se pode pensar em melhorar, em nada, a educação pública sem, antes, valorizar o professor. Se pensarmos bem, boa parte dos professores de ensino básico, fundamental e médio, que hoje atuam nas escolas públicas do Estado do Paraná, estão doentes, em franca depressão. E não é sem razão!
O salário pago por hora-aula, para os professores no início da profissão, mal passa de R$ 10. Um lavador de carros ou um assentador de azulejos ganha bem mais. Não quero desvalorizar essas profissões, mas um professor passa anos fazendo curso superior, pós-graduação para ganhar esse salário francamente ridículo e humilhante.
O problema não está restrito ao salário, pois as condições de trabalho também são degradantes: o sistema, em si, não dá nenhum poder de disciplina ao professor, pois os alunos podem, na prática, humilhar e xingar o professor, usar celular em sala de aula, procrastinar, e nada, repito, nada, pode ser feito contra isso. Nenhum aluno reprova, nenhum aluno pode ser efetivamente punido, mas o professor, este sim, pode ser humilhado, advertido ou até demitido.
Em muitas comunidades, os professores são protegidos, pasmem, pela bandidagem e pelos traficantes, porque, se fossem depender do governo...
Durante os horários de descanso, o professor tem que preparar as aulas, corrigir provas, estudar, pesquisar... As horas-atividade são poucas e dispersas, devem ser cumpridas na escola, onde não existe o mínimo de estrutura, como internet rápida ou espaços individuais reservados. Resta ao professor, trabalhar quando chega em casa. Intermináveis reuniões de Conselho de Classe ou de planejamento são feitas fora do expediente, muitas vezes nos finais de semana, e não são remuneradas.
Como se pode esperar qualquer melhoria da qualidade de ensino com essas condições? Como se pode melhorar a autoestima do professor se o governador do Estado considera, publicamente, os professores como vagabundos, vândalos e folgados? Ora, o governo não quer conceder, ao menos, a mera reposição da inflação nos salários dos professores, mas negocia expressivos aumentos reais para si próprio e para outras categorias do funcionalismo de grau mais elevado, especialmente os comissionados.
É preciso que o professor tenha um salário mais digno, que se deixe de humilhar os professores, especialmente aqueles do infame PSS - Processo Seletivo Simplificado, considerados párias dentro do funcionalismo, mas que, sem qualquer garantia ou estabilidade, são o verdadeiro alicerce do ensino público no Estado.
Dizem os engenheiros que, nenhuma construção tem estabilidade sem bons alicerces. Mas, o Governo Estadual está rapidamente minando os alicerces da educação, sem o menor pudor ou respeito.
JONAS LIASCH FILHO é professor universitário aposentado e presidente do Aeroclube de Londrina
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