Professor melhor com pagamento por mérito
A Secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, joga um balde de água gelada sobre os maus professores e os maus diretores escolares e desmistifica o discurso sindicalista de que o problema do ensino de baixa qualidade no Brasil reside no salário igualmente baixo desses educadores. Em entrevista à ultima revista Veja, ela - que foi também secretária-executiva do Ministério da Educação - diz que é preciso premiar os melhores professores, pagando-os segundo o mérito. Maria Helena comanda uma rede de 5.500 escolas, com 250.000 professores e 5 milhões de alunos.
É nesse universo que ela está implantando, pela primeira vez no Brasil, um sistema segundo o qual as escolas passarão a ter metas acadêmicas e mais verbas se as cumprirem. Essa verbas serão uma forma de bônus, que pode ser de três salários/ano adicionais e destinado também aos funcionários da escola. Essa arrojada inovadora, que tem o respaldo do Governo estadual, critica que os professores desejem aumento de salário mas dissociado do desempenho. Nem é preciso dizer que, quando ela lançou esse novo sistema, recebeu dezenas de mensagens eletrônicas de professores, alguns deles furiosos, como ela relata à revista.
A Secretária diz que o objetivo é criar incentivo concreto para o progresso do ensino e cita exemplo da Inglaterra e dos Estados Unidos, que - segundo ela - não inventaram nenhuma fórmula mirabolante mas, sim, conseguiram pôr em prática sistemas capazes de distinguir e premiar as escolas com bom resultado acadêmico. A velha política de isonomia salarial contribui para a acomodação dos professores numa zona de mediocridade, ela diz, com razão, e que essa prática tradicional ignora méritos e deméritos e deixa de jogar luz sobre os mais esforçados e talentosos.
Sem desprezar estímulos financeiros à carreira, ela é contrária a aumento salarial para professor ruim. E assim se opõe à postura dos sindicatos de professores, que ignoram conceitos de qualidade educacional e se fixam apenas no ideal corporativista. O sistema - já em implantação no vizinho Estado - é revolucionário e (inclusive pela entrevista) deve estar causando muita agitação no seio das classes de professores e diretores, em todo o País. É certo que encontrará adeptos em outros Estados, porque o que ela propõe é um sistema sábio e justo.
Maria Helena enfatiza que existe no Brasil uma visão atrasada, segundo a qual a culpa de todos os males da escola é atribuída ao poder público, e declara não achar razoável que os professores não sejam responsabilizados sobre o resultado final de aprendizado dos alunos. Todas as escolas nota 10 têm (também) um diretor competente - revela a educadora. E critica a gastança de dinheiro com escolas monumentais, repletas de quadras esportivas, piscinas olímpicas e centenas de computadores se não houver ali bons professores e diretores e com isso boa qualidade de ensino.





