Brasília - A discussão em torno do uso de transgênicos na agricultura brasileira ganha mais um capítulo na próxima segunda-feira. Uma reunião entre produtores e governo deve definir normas para a produção de algodão transgênico.
Representantes das principais associações de produtores, liderados pela Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) , e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tentarão, no encontro em Brasília, chegar a um consenso sobre o assunto.
Para Luiz Antonio Barreto, chefe geral de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o impedimento da realização de testes pode favorecer o surgimento de cultivos ilegais.
''É um absurdo impedir que agricultores brasileiros tenham acesso a uma técnica utilizada mundialmente e que pode tornar o produto brasileiro mais competitivo. Não foi provado em nenhum lugar do mundo que transgênicos causam danos à saúde ou ao meio ambiente'', afirma.
Os transgênicos são obtidos com a inserção de genes de uma planta em outra. Não se sabe se há riscos para a saúde humana.
A planta transgênica desenvolvida pela Embrapa é resistente ao bicudo, uma das principais pragas da cotonicultura brasileira.
Segundo Barreto, nos EUA, onde 72% da produção algodoeira é transgênica, houve uma redução de um milhão de quilos de inseticida. Traduzindo em números, são cerca de US$ 100 milhões economizados anualmente.
No Brasil, onde o custo médio de produção por hectare é de US$ 1 mil, a redução do custo final poderia atingir 30%. Os custos estimados com a compra de defensivos agrícolas poderiam ser reduzidos em 70%.
Por esse motivo, Jorge Maeda, presidente da Abrapa, escolheu a liberalização dos transgênicos como um dos principais temas de discussão do Clube da Fibra. O evento, que foi realizado em Brasília na semana passada, reuniu os maiores produtores e exportadores brasileiros de algodão.
Segundo Tatiana Carvalho, assessora da campanha de engenharia genética do Greenpeace, a liberalização só trará desvantagens para os produtores. ''Eles ficarão inteiramente dependentes das empresas que possuem a patente das sementes transgênicas.''
Outro inconveniente, segundo o Greenpeace, é a eventual perda de mercados refratários a produtos geneticamente modificados, como o europeu.

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