O que se espera é que, com a reabertura do Congresso dia 14, a fatídica Medida Provisória 232 seja derrubada e assim não se perpetre mais um delito governamental contra a produção rural, especialmente a agricultura familiar. Expressivas representações das classes produtoras passaram a movimentar-se, desde que a MP foi editada, entre elas as Confederações e Federações da Agricultura e da Indústria e a Ordem dos Advogados do Brasil, e aguarda-se pela sensibilidade dos parlamentares ante mais essa sangria tributária. Contrariando suas freqüentes exaltações aos pequenos produtores rurais, o presidente Lula não hesitou em assinar essa MP no começo do ano, certamente seguindo idéias de superministros de seu governo. Assim, agricultores que até o ano passado estavam isentos de pagamento de imposto de renda terão agora de fazê-lo, na base de 1,5% da venda de produtos acima de determinado patamar, mas é certo que todos pagarão. Isto significa uma subtração de renda desses agricultores, já diminuta. A prevalecer a MP, a luta da agricultura familiar que resultou na conquista de bônus e juros diferenciados, será anulada por esse golpe do governo, semelhante aos atos institucionais da última ditadura. Segundo o assessor de política agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná, Benedito Almeida, o novo imposto induzirá à informalidade no campo e ao retorno da temida intermediação, que tantos prejuízos já causou ao pequeno produtor. Porque ele irá vender sem nota, e o intermediário (que acabará arcando com o imposto) poderá derrubar preços na lavoura. Para o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná, João Paulo Koslovski, o mais grave é a antecipação da receita que será imposta, e assim a MP-232 passará a retirar dinheiro do setor produtivo para se financiar, pois a devolução só ocorrerá um ano depois. Ou seja, mais descapitalização no âmbito da cadeia produtiva e mais concentração de renda em mãos do governo. Pratica-se dessa forma a política suicida de descapitalizar os setores da produção – onde, se existe dinheiro, o giro dos negócios se multiplica – e de reter a moeda em campo infértil, que é o cofre do Tesouro. O momento é propício para a intensificação do protesto, no sentido de, ou convencer o presidente Lula a retirar o seu desastrado ‘Ato Institucional’ ou cercar o Congresso e pressionar os parlamentares para a rejeição. A esperança é que haja sensatez dos representantes do povo no Poder Legislativo e que aproveitem a oportunidade para praticar essa ação de graças. Que a União, gastadora e desajuizada – mal que se agravou no governo petista – corte 1,5% dos seus gastos supérfluos, na proporção da expectativa de receita oriunda do novo imposto, e assim terá resolvido o problema sem tirar dinheiro de quem está produzindo e ajudando a nação a erguer-se, apesar do governo!

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