Produtor rural não pode dar tréguas
No Brasil, pouco se obtém dos governos a não ser pela mobilização das massas e pelo uso da força, como estão fazendo os agricultores. Esta é a única linguagem que os governantes conhecem e respeitam. O que não se consegue pelos argumentos verbais e escritos, tantas vezes empregados mas de baixo resultado, se obtém por ações mais vigorosas, como as de fechar rodovias (sem prejuízo do tráfego de emergência), colocar máquinas diante dos bancos oficiais, bloquear ferrovias, liberar a passagem nos pedágios e tudo aquilo que chame a atenção das autoridades e as obrigue a tomar alguma providência a favor ou contra, mas de qualquer modo reagindo. A movimentação dos produtores rurais não pode dar tréguas mas persistir continuamente, porque cada período é tempo de plantar, de colher, de comercializar, e é preciso manter sempre aceso o ideal de luta e de resistência. Será necessário que a gente do campo faça valer a sua importância, que parece desconhecida dos governos e também de grande parte da população, destacadamente a das grandes cidades, que se serve do alimento que lhe chega à mesa mas não deve ter consciência de onde ele vem e do quanto custa produzi-lo. O produtor rural é um poder, que nem precisaria ser mostrado por lutas reivindicatórias e sim normalmente reconhecido, porque tudo pode perecer sem gerar caos, menos a agricultura. Mas como não existe o reconhecimento disto, há que colocar os tratores nas vias urbanas, fazer estardalhaço e gritar forte, até ferir o tímpano dos que estão encastelados no poder. A lavoura precisa ser assistida sob qualquer pretexto, porque ela tem prioridade sobre as demais atividades produtoras, pela razão de que produz o essencial à vida, que é o alimento. Se este argumento não bastasse, acrescente-se que os negócios diretos e indiretos do campo são os maiores geradores de empregos no Brasil, acionam a economia, geram tributação e amealham moeda estrangeira pela exportação. Por isso os produtores rurais precisam ser atendidos em seus pleitos. Exercer governo é eleger prioridades, e a lavoura é fundamental. Esta a parte governamental, que não é cumprida como deveria ser, fazendo-se necessário então o levante e o encurralamento dos governantes. Quanto mais pesada a pressão e quanto maior a participação das demais classes produtoras e do povo, em solidariedade aos agricultores, tanto melhor. Sem luta e sem a recorrência, se preciso, a ações mais radicais porque o Governo, em sua omissão, também pratica uma violência pouco se obtém quando o grande obstáculo é o poder governamental.





