Por meio da FOLHA, tivemos conhecimento, no mês de julho, de que a educação política, os direitos da cidadania e a educação financeira passam a integrar, obrigatoriamente, a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), na educação básica. As inserções dar-se-ão em forma de componente curricular, isto é, como disciplina, matéria, o que se constitui como lei e gera alteração na LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da educação nacional. Será uma ótima alternativa se tais conteúdos ficarem nas mãos de professoras e professores competentes e responsáveis. Espera-se que sejam aulas que contribuam para a formação integral dos alunos e os ajudem a ser bons cidadãos, autônomos, cumpridores de seus deveres e aptos para fazerem valer os direitos humanos.

Há outro tema que vem sendo proposto por profissionais das Ciências Humanas e das Ciências da Saúde, desde as primeiras décadas do século passado, com ênfase na necessidade de seu trabalho nas escolas. Trata-se da educação sexual. Precisamos de profissionais da saúde, da educação, entre outros, que participem dessa luta e ajudem a conscientizar as pessoas sobre em que consiste a educação sexual e por que ela pode ser uma importante aliada da família, se for realizada também na escola. Os professores necessitam que outros profissionais se unam a eles nesse trabalho, primeiro, porque a luta é grande e deveria ser de responsabilidade de toda a sociedade. Segundo, porque, infelizmente, professores carecem de status, são mal remunerados e não têm o respeito que merecem e a força para o convencimento, se comparados aos profissionais da saúde. Não nos acovardemos, nós que temos mentalidade progressista.

A responsabilidade dos órgãos nacionais, estaduais e municipais é imensa e se espera deles o empenho para que tal tarefa aconteça no espaço da escola, desde a educação infantil até o ensino médio. Para isso, são necessários esforços para a preparação e conscientização dos professores, diretores/as e equipe pedagógica.

Quando falamos em educação sexual, significa ensinar a pensar com responsabilidade e seriedade, sobre os assuntos que fazem parte da vida e que estão ligados, direta ou indiretamente, à vida sexual. Educação sexual abarca, também, a formação moral e o aprimoramento da comunicação e da afetividade.

Mesmo que a família faça um bom trabalho nesse quesito, a escola é importante por ter algo que em casa não tem: os colegas com idade próxima, para poderem debater, trocar ideias, aprender a respeitar opiniões divergentes da sua. O debate é fundamental para que os alunos conheçam as diferentes visões sobre um mesmo assunto e aprendam a pensar, para formar a sua opinião, à medida em que crescem. É comum que o educando não consiga fazer, em casa, certas perguntas e se sinta mais à vontade para fazer na sala de aula. Crianças que têm educação sexual são menos vulneráveis ao abuso sexual e deixam para iniciar-se mais tarde, por entenderem a responsabilidade que a vida sexual exige.

Preocupados que professores despreparados incentivem a prática do sexo e estimulem seus filhos a mudar de orientação sexual, por exemplo, como é apregoado por grande parte dos que são contrários a esse ensino – os inventores da ideologia de gênero -, pais e mães não se atentam para o fato de que garotas e garotos recebem, continuamente, fortes influências de meios variados, como dos amigos e companheiros de escola, das relações com variadas pessoas, dos filmes, da internet e das letras de músicas, que incitam ao sexo fortuito e egoísta e ensinam valores que vão contra os valores morais que estão a serviço de bons relacionamentos e da saúde. Então quando pais e mães dizem que não querem que a escola trabalhe o ensino da sexualidade, falta-lhes o entendimento de que crianças e adolescentes já recebem muita influência. Há muito tempo a família não é a única responsável pela formação moral dos filhos.

Mary Neide Damico Figueiró, psicóloga, mestre em psicologia escolar, doutora em educação, autora de livros sobre educação sexual, professora aposentada da UEL.

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