O chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, sabe. O ministro da Agricultura também. Denúncias de irregularidades no governo federal. Há dois meses, o secretário de Controle Interno do Ministério da Fazenda, Waldemir Rangel, encaminhou ao ministro Francisco Turra resultado da auditoria 27.671/98. Em 19 páginas, o relatório aponta dezenas de irregularidades no Ministério da Agricultura.
Estavámos então no meio da campanha eleitoral. Turra remeteu o problema para o seu secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques Pereira. O período investigado vai de 1996 a 1998 e todas as anomalias têm a ver com repasse de recursos federais.
Exemplo de irregularidade: primeiro o dinheiro, depois o contrato. A fatura de número 061296, no valor de R$ 225 mil, foi expedida em 20 de dezembro de 1996, dez dias antes da assinatura do contrato correspondente, em 30 de dezembro.
Outros aspectos causam apreensão, diz o relatório. Pagamentos integrais sobre produtos não totalmente desenvolvidos, sucessivas prorrogações de prazos e aditamento de contratos implicando gastos adicionais, interveniência de autoridades do Ministério em processos de licitação.
As conclusões da auditoria chegaram à Casa Civil da Presidência da República e ao Tribunal de Contas da União. Há outras investigações em andamento. No Palácio do Planalto, poderá comprometer as mudanças ministeriais. Francisco Turra é nome do PPB, partido que não anda em alta no gabinete de Fernando Henrique. Em princípio, Turra deveria permanecer.
O PPB de Paulo Maluf, aliás, quer emplacar o nome do deputado Francisco Dornelles, ex-ministro da Indústria e Comércio de Fernando Henrique. Pode ser no Ministério da Previdência, deslocando Waldeck Ornellas para o Planejamento. Paulo Paiva, que está na pasta, já disse que quer ir embora.
- MIRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília
Deixamos de publicar a coluna de Luiz Geraldo Mazza porque o jornalista está em férias.

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