Problemas do Porto de Paranaguá
A explosão do navio chileno em Paranaguá não é uma ocorrência relacionada com as deficiências estruturais e logísticas do porto, mas um sinal de alerta sobre medidas de proteção que se fazem necessárias para atender a casos de acidentes de grande proporção, como o acontecido. O jornalista Luiz Geraldo Mazza, da sucursal da Folha de Londrina em Curitiba, parnanguara de origem e conhecedor dos problemas do terminal portuário, adverte para vulnerabilidades, como a inexistência, em número e qualidade, de brigadas aptas a atuar em desastres como o agora ocorrido, que resultam em emanação de gases ou em incêndios. O navio estava carregado de metanol um produto tóxico e combustível semelhante ao álcool carburante e de óleos, por isso o favorecimento à explosão, com todos os danos ambientais decorrentes. Tais conteúdos são comuns nos navios que atracam e zarpam. A estrutura reclamada abrange a referente ao socorro de vítimas e a garantia de proteção a outras embarcações e às edificações e instalações das proximidades. No presente caso, a própria violência da explosão gerou problemas como dores de cabeça e dos ouvido de muitos moradores de Paranaguá, cujo casario avizinha-se da área do cais. O jornalista relembra que normas internacionais, a que o porto está subordinado, não são seguidas, e cita incêndio ocorrido ali nos anos 40, que durou uma semana. Ao mencionar esses episódios exemplifica que eles não foram suficientes para a adoção de cautelas especiais, mas ao contrário, as deficiências continuaram, estas já apontadas pela Agência Nacional de Transportes Acquaviários. Afora esses fatos, já em março se falava, neste espaço da Folha, que o porto de Paranaguá tinha estrangulamentos e pontos vulneráveis de logística entenda-se o princípio sincrônico de operações. Por extensão um problema de todos os portos brasileiros. O episódio da violenta explosão, que causou mortes, destruiu inteiramente a embarcação e semeou poluição num raio de 18 quilômetros, faz as atenções se voltarem para o já insuficiente suporte do porto paranaense para o volume da demanda, motivado pelo desenvolvimento do próprio País e pelo aumento contínuo da produção rural de exportação a paranaense e a mato-grossense que escoa por ali. Na época de colheita da soja ocorre o já conhecido fenômeno das filas de caminhões, à espera do desembarque, porque a estrutura portuária não permite agilidade condizente. E enquanto a plena funcionalidade do porto aguarda por essas medidas estratégicas em momento de grande euforia de exportações e da chegada ao Brasil de missões estrangeiras em número cada vez maior, buscando comprar e vender a dinâmica do comércio exterior fica prejudicada. Não deveria ser por via de tragédias que os problemas voltassem a aflorar e a apontar para a necessidade de soluções, mas se elas acontecem, que ao menos não sejam em vão e sirvam como mais uma lição.





