Problemas auditivos podem ser detectados logo após o nascimento
Quanto mais cedo for detectado problema auditivo, mais chance a criança tem de receber cuidados que evitem prejuízos no desenvolvimento da linguagem e na aprendizagem, afirma a fonoaudióloga Luciana Lozza Marchiori, professora de Fonoaudiologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e doutoranda em Ciências da Saúde na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ela explica que nem todos os problemas auditivos surgem logo após o nascimento da criança, mas os que têm causa congênita podem ser detectados em recém-nascidos. Geralmente são perdas graves de audição nos dois lados.
Embora esses problemas não tenham cura, a criança pode passar por um processo que a fonoaudióloga chama de habilitação auditiva, que vai facilitar a integração dela na sociedade, com a melhoria da comunicação. Ela poderá usar uma prótese auditiva ou frequentar uma escola especial para portadores desse tipo de deficiência, explica.
Essa habilitação auditiva ocorre antes do desenvolvimento da linguagem e vai melhorar as condições de aprendizagem da criança. Luciana Marchiori afirma que a incidência da perda auditiva bilateral significante é estimada entre 1 a 3 recém-nascidos em cada 1000 nascimentos e em cerca de 2% a 4% nos que saem de Unidades de Terapia Intensiva.
Segundo a fonoaudióloga, ainda é longo o período entre a suspeita da deficiência auditiva pelos familiares e o diagnóstico audiológico. Na maior parte dos casos, apesar de a suspeita da perda auditiva acontecer no primeiro ano de vida, o diagnóstico acontece somente entre o segundo e o terceiro ano de vida. ''Aí, a intervenção fonoaudiológica ocorre após o terceiro ano, perdendo-se assim o período crítico de estimulação.''
Luciana informa que o comitê brasileiro sobre perdas auditivas na infância recomenda que todas as crianças devem ser testadas ao nascimento ou no máximo até os três meses de idade e, em casos de deficiência auditiva confirmada, receber intervenção educacional até seis meses.





