Não se pode conceber que uma cidade antiga e tradicional como Jacarezinho e mais outros 21 municípios do Norte Pioneiro tenham deficiências médicas e hospitalares como as reveladas em reportagem deste Jornal. No caso específico da cidade mencionada, que é um núcleo destacado da região, os habitantes têm de esperar um milagre se forem vítimas de traumatismo craniano ou um problema cardíaco sério. Porque não existe neuro-cirurgião e nem cardio-cirurgião na cidade. Quem depender de um desses profissionais terá de deslocar-se para centros maiores, destacadamente Cornélio Procópio e Londrina, pela proximidade.
Em janeiro um cidadão aposentado morreu por falta desses atendimentos especializados e também porque não há tomógrafo, que é um sistema avançado de radiografia. Também não existem unidades móveis de socorro. Como mostra o levantamento jornalístico, se alguém levar um tiro no tórax ou na cabeça poderá morrer por falta de atendimento imediato, porque não há médico especialista nessa área. Com frequência ocorrem casos de politraumatizados, como é comum em todos os lugares. Essas ocorrências de alta complexidade terão de ser atendidas em hospitais de cidades maiores, isto se o paciente resistir.
É inadmissível essa deficiência na regional de saúde daquela região e que abrange 270 mil habitantes, ademais quando o Estado tanto investe, por meio das universidades públicas, na formação de profissionais - médicos incluídos - e as faculdades brasileiras de medicina disseminam anualmente uma enorme quantidade de formados.
Centros mais desenvolvidos certamente retêm e atraem os cirurgiões, mas o poder público precisa encontrar formas de municiar com esses profissionais uma região como a de Jacarezinho. A presença desses especialistas exigiria também o tomógrafo, de elevado custo mas indispensável. A Santa Casa de Jacarezinho tem condições físicas para converter-se num grande hospital e dispõe de espaço para o sistema de tomografia, mas falta ação política e governamental e por isso um centro populacional de importância como aquele é desassistido.
Talvez as lideranças regionais não estejam se mobilizando com o vigor necessário e não tenham mostrado suficientemente ao Governo essa premente necessidade. Jacarezinho, que formou notáveis cidadãos paranaenses em seu histórico Colégio Cristo Rei, tem crédito suficiente para ser contemplado com aquele equipamento, já muito reivindicado, e para abrigar aqueles cirurgiões. Já que os políticos não se empenham como deviam - embora haja alguns esforços nesse sentido - a Secretaria de Saúde do Estado deve adiantar-se e ir conhecer de perto o problema, providenciando o que falta.

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