Problema de saúde pública
Os pombos têm sua imagem associada a coisas belas, como o símbolo da paz. O desenho de um casal dessa ave normalmente remete ao tema "amor" e, não é à toa que dois namorados apaixonados são chamados de "pombinhos". O problema é quando o número desses animais chega a 200 mil, cenário hoje em Londrina, onde a situação já virou um grande problema de saúde pública e causou a morte, no último final de semana, de um homem. A vítima é um taxista de 47 anos, que morreu no hospital depois de lutar meses contra criptococose, conhecida por "doença do pombo".
Os pombos são considerados "ratos que voam" devido às doenças que eles transmitem. A criptococose é uma infecção causada pelo fungo Cryptococus Neofarmans, normalmente carregado por essas aves. O ser humano pega a doença através da inalação da poeira contendo fezes de aves. O taxista pode ter contraído a infecção em seu local de trabalho, em um ponto localizado na Avenida Paraná esquina com Prefeito Hugo Cabral, no centro de Londrina.
Há muitos anos o município convive com essa superpopulação de pombos e todos os problemas que eles causam, sem que as autoridades consigam encontrar uma solução. A Prefeitura já foi autorizada a fazer o abate, mas nenhuma empresa se candidatou ao trabalho reclamando das exigências dos órgãos ambientais. A administração pública partiu para outras tentativas paliativas, como a poda das árvores do centro, mas não houve sucesso.
A praga não é problema apenas de Londrina e as grandes cidades sofrem com a proliferação desenfreada dos pombos. Enquanto soltos na natureza, nos campos, essas aves não representavam problemas à população, pois eram mantidos sob controle pelos seus predadores naturais - a coruja e o gavião. Porém, acabaram migrando para as cidades, onde encontram alimentação fácil e farta e lugares seguros para fazer seus ninhos (prédios velhos, telhados de casas, fábricas, igrejas).
Sem uma solução eficiente por parte do poder público, cabe à população fazer sua parte para ajudar a frear a multiplicação dos bichos. A primeira atitude é não fornecer alimentos para as aves, evitando deixar migalhas de comida pelo quintal e ruas. Aberturas em telhados precisam ser fechadas para que os pombos não encontrem espaço para ninho. É claro que diante do grande número de aves que se concentra na cidade, só essas medidas não bastam. Prefeitura e órgão ambientais devem buscar soluções realmente eficientes e não apenas paliativas, além de estabelecer políticas públicas de controle da praga.





