PRIVATIZAÇÕES E ELEIÇÕES
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de maio de 2019
null 
A privatização da previdência e da água são temas espinhosos que certamente repercutirão para os futuros candidatos nas eleições municipais de 2020. Os temas quentes da pauta política, como o saneamento, já começam a movimentar as cidades. Em especial o embate atual sobre a MP 868 ou a proposição futura de um Projeto de Lei que deverá influenciar a atuação das empresas públicas de água, coleta e tratamento de esgoto sanitário nos municípios. Por ser o saneamento uma concessão municipal a atuação e o posicionamento político de cada deputado – estadual ou federal - acaba por se refletir junto ao seu eleitorado nos municípios.
De um lado estão as mudanças climáticas e a crescente escassez de água potável no mundo. Do outro lado está o avanço de grupos empresariais que enxergam na privatização da água uma oportunidade rara de obter lucros. No meio desta contenda está a população e os governos. Estes estão a buscar dinheiro para fazer caixa e não possuem uma política pública eficaz.
Por exemplo, ainda é um sonho a universalização do saneamento com acesso à água tratada e coleta de esgoto em todo País. Entretanto, não será desestruturando as empresas públicas que esse problema será resolvido. Os pequenos municípios são a parte vulnerável e será a mais prejudicada, principalmente devido à possível extinção do sistema de investimento cruzado - ou seja, municípios pequenos e deficitários recebem investimentos através de lucros que vêm de outras cidades.
Detalhe: os grandes investimentos privados são focados em cidades de médio e grande porte. Já os investimentos em pequenas cidades, onde o retorno (lucro) é pouco provável, não acontecem se não forem implementados pelo governo através das empresas públicas. Dessa forma, discursos demagógicos e mal intencionados que pregam e procuram reduzir na simples privatização - da previdência e da água - a solução para os graves conflitos apresentados soam como mais um engodo.
Dito isso, os futuros candidatos às eleições de 2020 possuem batatas quentinhas nas mãos, por consequência, defender e legislar agora contra os interesses da população vulnerável será tornar-se no mínimo cúmplice do aumento das consequências, mazelas sociais e ambientais que aí estão.
ANTONIO SERGIO NEVES DE AZEVEDO, estudante (Curitiba)


