Ainda que fosse possível a privatização do Sercomtel dentro do perfil imaginado pelo município de Londrina, ou seja, o produto da alienação acionária seria todo ele canalizado aos cofres da municipalidade, como se fosse ela titular absoluta do patrimônio privatizado, dúvidas inquietantes orbitam ao redor do processo.
Venho sustentando que a transformação do perfil jurídico do Sercomtel não trará qualquer aporte tecnológico à empresa, porquanto o único objetivo, perceptível pela inteligência média, é o de apenas angariar recursos financeiros para viabilizar uma administração que vem sofrendo, por herança, dificuldades imensas para administrar o seu próprio custo de pessoal.
Como cidadão não concordo, sequer por hipótese, seja pulverizada a melhor empresa local, ainda que sangrada todos os dias para alimentar um órgão moribundo, quando se sabe que ao mesmo falta coragem política para que se promovam cortes substanciais na sua estrutura indevidamente inchada.
Responde o senhor prefeito que os recursos gerados pelo processo de privatização serão gerenciados por um comitê, não da comunidade, mas de seus próprios secretários, o que torna a mesma coisa. É como mudar o rótulo do mesmo produto.
Entretanto, traduz-se da fala do chefe do Executivo um discurso absolutamente diverso do presidente do Sercomtel.
Enquanto a primeiro fala da utilização dos recursos em obras públicas que venham reverter em benefícios à comunidade, o segundo sustenta, em seu artigo publicado em 02 de abril ( Folha , página 3), que o objetivo da privatização é o de agregar mais valor ao patrimônio do Sercomtel.
Pergunto, face às falas contraditórias: para onde vai o dinheiro da privatização?
Pessoalmente respondo que o Sercomtel não verá um mísero níquel desta transformação da sua estrutura jurídica.
Vendida a maioria das ações (alguma multinacional de telecomunicação terá interesse de ser minoritária?), será mais uma fonte de receita da adquirente, que prestará sim o mesmo (?) serviço pelo maior custo.
Não é preciso ser futurologista para afirmar que a comunidade usuária do sistema acabará perdendo a médio prazo em qualidade e custo do serviço.
Não tenham ilusões, a Light está bem ao nosso lado.
Resta indagar, finalmente, por uma questão de alguma relevância: qual o valor patrimonial do Sercomtel e quanto, de fato, pertence ao município?
A comunidade não está cientificada do real valor da empresa e nem ficou estabelecida, com transparência, a participação acionária dos proprietários dos terminais telefônicos, esses sim os verdadeiros donos do Sercomtel, porquanto foram esses que, por autofinanciamento, edificaram a companhia .
Até mesmo a velhinha de Taubaté diria que vender sem antes estabelecer a partilha correta é apropriar-se indebitamente.

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