Privatização do Banestado
Em várias ocasiões já saímos em defesa da urgente necessidade de uma análise global dos efeitos da privatização do Banestado, bem como das causas que culminaram no socorro por parte do Banco Central. Não se pode ignorar a população que ajudou a construir um patrimônio que, dentro do possível e da limitação de investimentos tecnológicos, estava e está em igual nível aos demais concorrentes do mercado. Com quase 400 agências no Brasil e com uma grande quantidade de postos operando em todas as carteiras comerciais, além de oferecer produtos de qualidade e rentabilidade para o setor, a estrutura do Banestado está sendo corroída por gestões, no mínimo, infelizes.
Estamos diante de um setor com alta rentabilidade. Não existe no Brasil nenhum outro segmento que tenha obtido mais lucros do que os bancos. Já dizia o saudoso Amador Aguiar: Melhor do que um banco altamente rentável, somente comprando um outro banco em péssima situação financeira. A prova disto é o excesso de interessados e a estrutura que está sendo oferecida após uma construção de longos anos.
Sempre mencionamos que o momento é o de se organizar os meios empresariais e políticos, credenciar pessoas competentes, de alta e comprovada qualificação e seriedade para gerir os interesses, visando a manutenção deste grande banco.
A questão não é analisar os ex ou os atuais dirigentes do banco mas, sim, uma saída para salvar nosso patrimônio. Que tal a criação de uma comissão de negociação com projetos verdadeiros de saneamento visando salvar o banco, estruturando-o com uma equipe voltada ao lucro operacional e desligada sistemicamente do governo? Por sua vez, concordo plenamente com a verificação in loco de todo o realizado no banco, responsabilizando os envolvidos, inclusive, com procedimentos qualificados de improbidade administrativa.
Porém, este é o momento do engajamento geral para se tentar a possibilidade da formação de uma equipe para sanear o Banestado, tirando todos, totais e ilimitados poderes das classes políticas para gerir o banco. Já ficou por demais provado com os resultados que aí estão que muitos que se mantêm na direção não têm capacidade para administrar um orçamento doméstico, o que dirá o orçamento de um banco. Um simples comentário: se o negócio denominado bancário e se seus produtos fossem tão ruins, estariam os grupos privados nacionais e internacionais adentrando em um mercado frágil e não lucrativo?
Vamos ao exemplo de um pecuarista que vê o seu rebanho dia-a-dia definhar e, sem entender o porquê, faz a seguinte análise: ou os bois são ruins, ou estou sem pastagens, ou estou sem controle fito-sanitário. Convenhamos: se o animal tem uma boa raça, o setor tem liquidez, utiliza tecnologia de ponta e só leva prejuízo, é porque quem administra não é do ramo. É o que se aplica na questão da administração do Banestado.
Está por demais provado que em negócios não se pode envolver política, amizade ou favores já que quaisquer destas referências serão prejudiciais à instituição. Foi o que aconteceu com o Banestado. Vivemos um momento sazonal em nossa economia com inadimplência generalizada pelo arrocho da política. Mas, mesmo um setor que sobrevive dadas as altas rentabilidades, quando mal gerenciado, sucumbe nas dificuldades. Agora é o momento de nos organizarmos com a meta de viabilizar nosso único e exclusivo banco de fomento sendo que, em muitas cidades do Paraná, é a única opção no atendimento à população.
É necessário consertar o realizado indevidamente? Com certeza, sim. Porém, estaremos vendo os motivos do porquê do nosso barco ter afundado sem, no entanto, tentarmos salvar alguns sobreviventes que poderão se unir e voltar a construir e velejar novamente o Banestado junto ao mercado.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina
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