Prisões contínuas, mas tráfico aumentando
Mais dois poderosos chefões do tráfico de drogas foram capturados pela ação integrada da Polícia Federal do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, e a informação remete para o comentário feito duas semanas atrás neste espaço: comandantes graúdos são presos e algumas quadrilhas desbaratadas, porém o mal do tráfico não cessa e nem sequer se atenua. Os presos são dois ''cabeças'' que operavam na lavagem de dinheiro para o Cartel Juarez, com sede no México e que segundo os organismos de repressão remetia mensalmente toneladas de cocaína da Bolívia, do Brasil e da Colômbia para o México e dali para os Estados Unidos. Os dois são mexicanos e um tinha residência fixa em Curitiba há vários anos, portanto sob as luzes da grande cidade. Se esses chefões foram detidos, espera-se que a lavagem de dinheiro diminua na área de atuação dessa dupla, a menos que a reposição desses operadores seja tão veloz que não permita quebra de continuidade. Dinheiro vindo do México entrava livremente no Brasil e era convertido em empresas e imóveis, e, nessa dinâmica, grandes valores vinham e saíam. O que irá surpreender os cidadãos é que, muito breve, mais chefes sejam presos e assim continuamente, como acontece há décadas e parecendo que essa prática criminosa como já foi dito aqui se recria em si mesma e nunca acaba. Na operação de semanas atrás também foi preso um grande chefe, e agora são mais dois. Com a sucessiva detenção de titulares chega-se a acreditar que essa tarefa tenha um fim em determinado momento, mas não é o que ocorre. Porque o tráfico de drogas veio aumentando e parece fora do controle das autoridades. Certamente que ''pássaros na mão'' como os dois chefões agora presos são valiosos, e entregarão muita gente se encurralados. O que acontece é que esses comandantes do tráfico pesado sempre conseguem safar-se, por fuga, pela libertação por via das brechas da lei e de experimentados defensores, ou outras formas. Chega-se a um ponto de descrença quando se assiste a trabalho bem-sucedido como este da Polícia Federal, mas aparentemente sem proveito se o negócio das drogas não só não diminui, mas aumenta. Quando não retornam à atividade por via dos muitos meios, esses chefões detidos podem ir saindo de cena mas, ao que tudo indica, são imediatamente repostos, e assim a poderosa máquina que tem ramificações internas e transnacionais continua seu giro. O virulento negócio das drogas, da criminalidade inerente que caminha paralela e do vício a que submete especialmente a juventude, é sem dúvida o mais desafiador que as autoridades honestas do mundo enfrentam desde todos os tempos.





