Priorizar o Brasil
Interrogado sobre a moratória decretada pelo governo do Estado de Minas Gerais, o novo secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) da Presidência da República, embaixador José Botafogo Gonçalves, disse que todos deveriam pensar, em primeiro lugar, sobre o que interessa ao Brasil. Botafogo disse que o Brasil precisa resgatar a credibilidade e que fatos como esse não ajudam em nada. Investimento atrai investimento, na razão direta da credibilidade financeira e inversa do calote, afirmou, acrescentando que os prejuízos de moratórias passadas continuam repercutindo até agora e somam centenas de milhões de dólares de prejuízo para o País. Em relação às exportações, Botafogo disse que, à frente da Camex, vai priorizar o combate ao custo Brasil e a promoção da indústria brasileira no exterior.
Em outra frente, o líder do PTB na Câmara Federal, Paulo Heslander, informou que diante das dificuldades que o País está enfrentando, a bancada do partido decidiu apoiar integralmente as medidas propostas pelo governo, sem reivindicar cargo nenhum. O partido ameaçava obstruir a votação de quarta-feira das medidas provisórias de ajuste fiscal caso não fossem confirmadas as indicações de parlamentares do PTB para o segundo escalão do governo. Embora tenha sido uma decisão específica para determinado momento, está dentro mesmo do apelo do diretor da Camex no sentido de se pensar, primeiro, no interesse do País.
Infelizmente, este não tem sido um procedimento padrão, nem dos que, pela função pública, deveriam ter como prioridade a situação brasileira e tudo o que isto implica. O que se tem visto, quase que genericamente, é a busca do interesse particular, muitas vezes travestido de nomes como partido político ou grupo de qualquer tipo. Os entrechoques que têm sido observados tanto em relação ao governo federal como em muitos Estados, com partidos e políticos reclamando de espaço (principalmente cargos), são bem indicativos. Não há o esforço no sentido coletivo, falta aquele senso que deveria ser natural, principalmente entre os políticos, de colocar em primeiro lugar e acima de tudo o interesse nacional.
Esta preocupação que leva em conta prioritariamente as necessidades do País tem um nome: patriotismo. Lamentavelmente, como tantas outras palavras de significado profundo, esta também foi desgastada pelo uso inadequado, pela exploração de muitos que quiseram (e em muitos casos conseguiram) usar este nobre sentimento para atingir propósitos pessoais, muitas vezes inconfessáveis, quase sempre perniciosos ao próprio País. Isto porém não muda a essência nem altera a realidade, expressa de modo simples pelo secretário-executivo da Camex, a respeito da importância de se observar, especialmente quando em cargos de comando, as necessidades do Brasil, colocando-as em primeiro lugar.
O Brasil viveu, há poucos meses, uma campanha eleitoral. Candidatos à presidência, aos governos de Estado, ao Senado, à Câmara Federal e às Assembléias Legislativas foram ao eleitor com suas promessas e mensagens. Os melhores e mais elevados propósitos foram destacados, a preocupação mais elevada com os destinos do Brasil estava expressa no discurso de cada candidato e dos partidos envolvidos na disputa. Passou o pleito, os que foram eleitos para os Legislativos nem sequer foram empossados, e todo o discurso elevado parece esquecido. Os partidos disputam cargos e negociam seus votos e suas posições com a maior desfaçatez. Ponderável parcela dos políticos dá a impressão de seguir a mesma linha. O interesse em relação aos problemas do País e de seu povo ficam em plano secundário. Modificar isto não resolveria todos os problemas, mas poderia ser um novo caminho.





