Prioridade para atendimento do campo
Se os agricultores paranaenses estão endividados, por conta da queda de 20% nas safras, é preciso dar-lhes prioridade de atendimento. Porque a atividade do campo é estratégica, pela razão de que produz alimentos, sem os quais a humanidade não sobrevive. Quando se reclama atenção especial ao produtor rural não se está visando privilegiar essa classe, em detrimento de outras igualmente importantes no processo produtivo. A razão fundamental é a segurança alimentar, que na extensão tem a ver com a segurança nacional. Ademais, interessa às nações com baixa produção de alimentos que haja no mundo países com espaço físico, tecnologia e tradição nessa área vital, para assim garantir o abastecimento mundial da comida que precisa chegar à mesa de cada habitante do Planeta. Atendida esta necessidade básica, os demais benefícios virão como natural consequência. No caso presente da agricultura do Paraná, as dívidas acumuladas giram em torno de 1 bilhão de reais. O débito maior é com as cooperativas que, se não receberem, não terão recursos para novos empréstimos. A informação é que o Banco do Brasil prorrogou vencimentos de dívidas, e que os produtores que buscaram empréstimos junto ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar estão amparados pelo seguro agrícola, mas, de qualquer modo, débitos com bancos precisam ser quitados em determinado momento. Ademais, esses favorecimentos são insuficientes, porque o débito maior é com as cooperativas, dependentes também elas do fluxo de capital. Por essa razão a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, a Organização das Cooperativas do Paraná e a Sociedade Rural do Paraná continuam com a campanha reivindicatória iniciada semanas atrás, e estão programando ir a Brasília, em caravana, no próximo dia 29, visando chamar a atenção do Governo para o problema e pedir socorro. Não foi só a queda nas colheitas fato motivado pela falta de chuvas na época mas também a baixa do dólar, que regula os ganhos na exportação e também no mercado interno. O produtor rural está derrubado, e sem ajuda do Governo é impossível reverter a situação. Além da sobrevivência dos que operam no campo, a agricultura interessa ao abastecimento alimentar, proporciona empregos na atividade direta e nos desdobramentos do agronegócio, é forte geradora de tributação e grande responsável pelo superávit que o Brasil vem obtendo com as exportações. Este setor da economia nem precisaria chegar ao ponto de mobilizar-se para reivindicar, porque isto deveria ser preocupação natural do Governo e motivo de zelo permanente das instituições públicas. Manter vigilância para o bem-estar dos negócios do campo é uma fórmula inteligente de exercer governo.





