O sistema de associativismo e princípios justos e solidários tem proporcionado qualidade de produtos e ganho, maior aproximação entre pessoas de atividades idênticas e a difusão do salutar espírito da cooperação mútua e do bom viver. Experimentos do gênero não são novos, especialmente na agricultura, envolvendo pequenos e médios produtores. Em Lerroville, distrito de Londrina, cinco dezenas de cultivadores de café reunidos na Cooperativa Agroindustrial Solidária vêm adotando há alguns anos esse princípio de trabalhar em grupo, com diálogo, transparência, co-responsabilidade, respeito ao meio ambiente, menor uso de agrotóxicos, proibição de trabalho escravo e infantil, qualidade de produção e busca do melhor resultado e do melhor preço. Esse processo estabelece um contato direto entre o produtor e o comprador, sem a presença da intermediação de terceiros, muito presente no sistema global de commodities. O presidente da cooperativa, Fábio dos Anjos, informa que tem participado de reuniões quinzenais com representantes dos produtores e de empreendedores sociais, consumidores, organizações não-governamentais e instituições de pesquisa, visando a proposta de uma legislação para essa modalidade de associativismo. Uma entidade internacional, a Fair Trade Labelling Association que é uma associação de reciprocidade e livre-troca de marcas certifica toda a cadeia, desde o produtor até o comerciante, e já tem em sua listagem café, chá, arroz, cacau, mel, açúcar, frutas frescas e secas e inclusive produtos manufaturados, como confecções, flores e artesanato. As ramificações desse sistema justo e solidário já se estende pela Ásia, África e América Latina, e grandes mercados compradores são Estados Unidos e Europa. A atividade prevê para 2007, no mundo, negócios de 1 bilhão de dólares. Lerroville é uma região agrícola que, havendo descoberto a fórmula, passou a produzir café de alta qualidade, com a eliminação de barreiras impeditivas. Pela afirmação dos produtores dessa localidade, este é um caminho sem volta porque está dando certo e que exige dedicação e persistência, ''mas tudo fica mais fácil quando somos unidos'' diz, em reportagem da Folha Rural do último sábado Jesus Paulo Silva, dono de 6 alqueires cultivados com café. Entre as inúmeras vantagens desse processo está a geração, cada vez mais consolidada, de uma nova consciência a de que é possível operar em harmonia e com honestidade, sem a presença da competitividade predadora que caracteriza a maior parte dos negócios no mundo.

mockup