Belém, Jerusalém, Cisjordânia, Galiléia. Mais do que pontos pretos afixados em recantos remotos de um mapa, ouvir pronunciados os nomes dessas quatro localidades remete a referências bíblicas. Berço de civilizações, o Oriente Médio deveria ostentar no século 21 o orgulho de ter os povos de espírito mais elevado do planeta. Não tem.
O banho de sangue e insensatez que inunda a região onde Jesus Cristo nasceu, pregou e morreu é a prova do primitivismo que assalta aquela região do mundo. Liderados por um general de extrema-direita, fanatizado pelos dogmas da própria religião, os israelenses estão a compactuar com atos de barbárie que os reduzem à condição de criminosos.
Fracos ante o fanatismo de celerados que se explodem em locais públicos, cometendo suicídio e matando inocentes, os líderes do povo palestino também se revelam aquém do momento histórico.
A humanidade não chegará a lugar algum se Ariel Sharon e Yasser Arafat seguirem como estão. Eles se deixaram bestializar pelos labirintos políticos construídos por si próprios em suas nações. Agora, obrigam-nos a sofrer diariamente os solavancos que estão a provocar na História.
Enquanto o mundo assiste sem compreender ao espetáculo que cassou a razão no Oriente, passa-nos ao largo uma lição de civilidade que vem da África. Refiro-me ao cessar-fogo acertado em Angola. Governo e guerrilha angolanos irão depor as armas animados pela morte de Jonas Savimbi, há um mês, e discutirão, enfim, como se dará a reconstrução de um dos mais miseráveis países do mais miserável continente da Terra.
O que dizer de judeus e palestinos ao confrontar a rotina bestial de suas milícias com a bela estratégia de uma nação negra que vislumbrou no diálogo o único caminho para a paz? O primitivismo que emana do Oriente Médio, de povos que deveriam nos inundar de lucidez, é uma das revelações mais chocantes deste século que estreou para os livros de História com a maior de todas as infâmias: a data de 11 de setembro de 2001.
LUÍS COSTA PINTO é jornalista em Brasília

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