Os governadores deverão ter forte influência nos rumos da nova administração Lula, porque alguns representam Estados de grande força política e decisória, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que serão comandados pelo PSDB. Tendo à frente José Serra, Aécio Neves e Yeda Crusius, só os dois primeiros Estados contam, ademais, com 25 dos 65 deputados do partido na Câmara. Dentre os maiores Estados, os demais não declaradamente alinhados são Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina, todos do PMDB; Ceará (PSB), Distrito Federal (PFL), Goiás (PP), Pernammbuco (PSB) e Maranhão (PDT). O PT elegeu só um governador de Estado forte (a Bahia, com Jaques Wagner), embora o Governo conte com o apoio dos peemedistas de Mato Grosso, Blairo Maggi, e do Paraná, Roberto Requião, e disponha também de uma uma boa representação petista nos parlamentos. Se no primeiro mandato Lula descumpriu muitos acordos feitos com as oposições, não poderá ignorar a realidade que irá enfrentar a partir da próxima temporada, sob risco de quebrar a harmonia da governabilidade. Sem tiroteios verbais - até porque o momento agora nem é oportuno - Serra e Aécio anunciam ''uma saudável e permanente competição de políticas e gestões'' com o Governo Lula. O PMDB, ideologicamente mais afinado com o presidente Lula, fez a maior bancada e tem o direito de indicar o presidente da Câmara. E também ambiciona o mesmo no Senado, onde o PFL fez, individualmente, a maioria de representantes. De sua vez, o PFL já afirmou não aceitar acordos com o Governo, a não ser ''diálogos administrativos'', porque declara não confiar em Lula e que fará ''uma guerra interminável contra petistas de qualquer tribo''. Este é um esboço que a priori se apresenta. Um bom sintoma, que os saudosistas aplaudiram, foi o aceno de Lula convidar o ex-ministro Delfim Neto (não reeleito deputado federal) para compor seu Ministério. Delfim foi influente personagem no governo militar e emergiu dessa fase como o ''pai do milagre econômico'' que, por bom período, manteve o desenvolvimento em alta e a euforia nacional. No pacote, o casuísmo acomodador de Lula colocar também Roseana Sarney, para agradar o velho cacique maranhense, pai dela. O Presidente, que ontem voltou à atividade, quer um encontro ainda neste mês com os 27 governadores eleitos - e óbvio que todos comparecerão, porque não podem, neste início de jogo, desprezar um convite do presidente da República. Ainda sem projetos revolucionários de governo para levar a essas reuniões, Lula se fixará em quatro pontos: as reformas tributária e política, e a aprovação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e do Fundo Nacional de Educação Básica. De todas, a mais problemática é a questão tributária, pelos diferentes interesses de Estados e municípios - estes entre si e de todos com relação à União. O setor produtivo espera a redução de impostos, mas não se sabe até que ponto, nessa denominada reforma, Lula e os demais governantes estão propensos a fazer concessões.

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