Primeiro ouvir brado que vem do campo
Toda a atenção que se der ao produtor do campo será sempre pouca, porque é a atividade agropecuária é a que impulsiona grande número de outras, destacadamente a indústria de derivados, assim como todos os segmentos afins do comércio. Mas no Brasil dá-se pouco valor à produção agropecuária, desde as pequenas até as grandes propriedades estas estigmatizadas como latifúndios pelas esquerdas, e como um negócio de caipiras pelas elites urbanas. Todos se beneficiam dos produtos do campo que, in natura ou beneficiados, lhes chegam diariamente à mesa, mas escapa às pessoas deter-se por alguns instantes a imaginar quem está por trás de tudo isso. Os governantes têm conceito idêntico, e embora alardeiem a prodigalidade das safras, como se tal fosse mérito deles, não estão nem aí com o que esteja se passando na vida da roça. Um exemplo é o impasse da aftosa no Paraná, que até agora não sensibilizou o presidente da República. Ele talvez nem saiba o que está ocorrendo, não obstante se vanglorie dos recordes das exportações, em cujos contêineres há significativo porcentual de produtos oriundos dos suores do campo. E o ministro da Agricultura é uma figura apenas apática. Agora os produtores dos Campos Gerais (região de Ponta Grossa) e da zona central do Paraná estão pedindo socorro ao Governo, face aos vencimentos das dívidas, pleiteiam melhoria dos preços mínimos dos seus produtos, mais recursos (a juros baixos, de 8,75% ao ano) e novas medidas de amparo à comercialização. As secas sucessivas causaram grandes prejuízos, isto somado aos preços baixos auferidos pelos produtores. Muitas famílias de colonos, mesmo com parcelas prorrogadas do débito (especialmente com o Banco do Brasil), não conseguiram saldá-las. Também a cadeia das pecuárias de corte e de leite acumularam dívidas, em consequência da novela da aftosa. Sabe-se que, em face desse bloqueio, o preço do boi caiu, embora nos mercados o quilo da carne até tenha subido. Para não falar da suspensão das vendas externas das carnes, com grandes prejuízos para o Estado. Até as coisas se restabelecerem e a confiança externa ser recuperada, demandará longo tempo. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) assumiu as reivindicações dos produtores, e o presidente da entidade, Ágide Meneguette, enviou ofício ao ministro Roberto Rodrigues e à Diretoria de Crédito Rural do Banco do Brasil pedindo nova prorrogação das parcelas de débito, abertura de crédito para retenção de matrizes e garantia de recursos de custeio. A resposta do Ministério e do Banco tem de ser imediata, porque o campo é sujeito a grande número de fatores adversos e precisa receber cuidado rápido e constante. Se o Governo tanto louva a expansão das safras e faz do superávit das exportações uma de suas bandeiras, deve saber que esses êxitos não acontecem por acaso. O brado do produtor é o primeiro que deve ser atendido, porque as benesses, em grande número dos demais setores da economia, virão como natural consequência.





