Primeiro o atendimento às pessoas
Sem projeto de viabilidade legal, técnica e financeira esta tendo a ver com a capacidade de endividamento o município não obtém financiamento, nem interno e nem externo. Quando não há recurso próprio, é preciso recorrer a esse expediente, porém de forma a que não crie problema de liquidez e de comprometimento aos serviços básicos. Londrina tem estrutura para arcar com um tal compromisso, por isso o Município pleiteia empréstimo de R$ 72 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, para realização de obras de infra-estrutura urbana. Este é o ponto que precisa ser examinado pelos vereadores e pela comunidade. A priori, considera-se mais urgente a questão da moradia, porque a cidade está rodeada de assentamentos, onde não será preciso dizer as condições de vida são péssimas e desumanas. Porque falta conforto, higiene, água, luz, os equipamentos de urbanização; e falta o principal, que é uma renda familiar e a suficiência alimentar. Obras como viadutos e acessos necessários mas que podem esperar, por tratar-se de obras caras e, ainda, não de primeira necessidade parece mais prudente um estudo acerca das prioridades. Algo que deve ser feito com a participação da sociedade, que afinal é a que assume o empréstimo pelo longo período que vai de 15 a 25 anos. Se é o contribuinte que paga a conta, ele tem de fazer parte não apenas do ônus, mas também do respectivo projeto de aplicação da verba. E se esta é originada de empréstimo, o zelo deve ser ainda maior, pela volume da operação, pelo tempo de endividamento e pelo serviço dos juros que se não são tão altos, aumentam a dívida no mínimo 5% ao ano. Se toda obra pública visa o atendimento às pessoas para alguma forma de facilidade e bem-estar, há que atentar para a prioridade de socorrer aqueles que sofrem diretamente na carne, que são esses excluídos sem eira nem beira que habitam os cortiços. Atender ao sistema viário, por meio de viadutos e acessos em que se projeta aplicar o empréstimo pleiteado é certamente uma boa providência, mas muito pode-se fazer nesse campo, já agora, apenas com ajustes na estrutura urbana, que exigem pouco dinheiro. Pode-se então resolver primeiro os microproblemas, nessa área, com um planejamento mínimo, e só depois pensar nos projetos maiores que, no devido tempo, precisarão inevitavelmente ser realizados. A cidade grande atraiu naturais problemas e contingentes populacionais carentes, por isso, em primeiro lugar, deve ser olhada a pessoa humana aquela que está padecendo do desabrigo, da fome e de todas as carências subseqüentes.





