A nove meses do fim do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Siva (PT), dezenas de ocupantes de primeiro e segundo escalão do governo deixaram os cargos para disputar as eleições de outubro. Com a dança das cadeiras, Londrina ganhou mais um representante entre os titulares dos ministérios.
A londrinense Márcia Lopes, que é filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) foi empossada ministra do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), em substituição ao mineiro Patrus Ananias, também do PT. Ex-vereadora na cidade, ela foi secretária executiva e secretária nacional de Assistência Social entre 2004 e 2008.
Agora, o Governo Lula conta com três representantes pés-vermelhos no primeiro escalão. Além de Márcia Lopes, o ministro do Planejamento Paulo Bernardo e o chefe de gabinete do presidente Gilberto de Carvalho têm forte ligação com Londrina. Carvalho é, inclusive, irmão da nova ministra.
Nesta entrevista, Márcia fala dos desafios que vai enfrentar nos nove meses que terá à frente da pasta até o encerramento do Governo Lula, dos benefícios que Londrina e região poderão receber e da responsabilidade de conduzir o Bolsa Família, que é ums das principais apostas do PT para as eleições de outubro.
Quais os principais desafios que a senhora deve enfrentar à frente do Ministério do Desenvolvimento Social?
A orientação do presidente Lula para todos os novos ministros é que nesses nove meses nós trabalhemos na consolidação de todas a políticas, programas e projetos dos ministérios. Há uma orientação para não inventar nada de novo até porque não teríamos tempo de iniciar e concluir novas ações. Tenho a responsabilidade de aprimorar tudo o que o ministério já vem fazendo. A coordenação do Bolsa Família, a implantação do Sistema Único de Assistência Social e de Segurança Alimentar. Vamos tratar de aprimorar e dar continuidade ao trabalho que o ex-ministro realizava.
Então a palavra de ordem é continuidade?
A meta é dar continuidade. Claro que em função da dinâmica da realidade social em cada município e estado temos que estar sempre em alerta e compatibilizando as nossas decisões com as necessidades. Nós vamos aprimorar, investir na articulação, na integração das políticas públicas.
A sua indicação ao cargo vai trazer benefícios diretos para Londrina e Região?
Tenho recebido inúmeras manifestações carinhosas das autoridades de Londrina, de amigos e de colegas de profissão. É um orgulho ser londrinense e estar aqui representando o Brasil. Estou honrando o convite do presidente Lula. Obviamente como vou voltar a Londrina sempre porque minha família permanece na cidade vou estar à disposição da região quando estiver aí para continuar esse diálogo e aproximação que eu tenho com Londrina há muito tempo.
Apesar da presença de outros londrinenses no núcleo de poder muitos reivindicam que a cidade deveria ter recebido mais benefícios do que efetivamente vem ocorrendo.
O presidente Lula tem praticado o espírito republicano. Temos que olhar o Brasil como um todo, independentemente de partido político. A partilha dos recursos deve ser correspondente às necessidades, demandas e capacidade de gestão que os municípios brasileiros têm. Londrina recebe R$ 88 milhões por ano do MDS nos vários programas e projetos do ministério. O Paraná recebe R$ 1,5 bilhão. Em todo o Brasil são R$ 38,9 bilhões. Quanto mais competência técnica e capacidade gerencial os prefeitos tiverem, mais eles estarão disputando esses recursos.
A senhora acredita que o Bolsa Família será mantido no próximo mandato independentemente de quem assumir o cargo?
O Bolsa Família, como todos os outros programas, é normatizado. Quando nós implantamos sistemas estamos normatizando as ações públicas para que seja assegurada a continuidade. O que ocorre é que a manutenção e a continuidade das políticas públicas dependem muito da visão do governante. Se ele tem compromisso e quer garantir proteção social à população ele vai continuar e aprimorar as políticas sociais. Agora, se a visão dele não for essa, como aconteceu durante muitos anos no nosso país, pode haver um retrocesso.
O governo falhou em oferecer cursos de capacitação paralelos ao Bolsa Família?
Não. Há inúmeros programas de capacitação e qualificação profissional. Não basta o governo federal ter vontade e colocar recurso no orçamento. Os estados e os municípios têm que criar estruturas e cumprir o que é definido para que os programas fluam bem. Hoje mais de 3 milhões de famílias já devolveram o cartão do Bolsa Família porque mudaram de renda. Toda iniciativa de capacitação é muito bem-vinda.


Há uma orientação para não inventar nada de novo

Mais de 3 milhões de famílias já mudaram de renda

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