Previsões positivas - Editorial
Previsões positivas
O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico, divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, mantém a previsão de um crescimento de 4% do PIB para a economia no próximo ano, apesar dos riscos que apareceram recentemente, principalmente com relação à inflação, balança comercial e escassez de demanda. O documento mantém a previsão de crescimento de 3,9% para o PIB agropecuário, 5,2% para a indústria e de 3,7% do setor de serviços. A Secretaria avalia que os choques de oferta que levaram à pressão inflacionária já ocorreram em sua maioria, resultantes principalmente da desvalorização cambial, do ajuste de tarifas de energia, do choque de petróleo, do aumento de impostos e de uma entressafra ruim. Conforme o documento, o País entra no ano 2000 com preços relativos ajustados, não havendo razão para imaginar resíduos inflacionários que possam comprometer as metas já estabelecidas. O Boletim enfatiza que muitos analistas estão exagerando o papel da fraca atividade econômica como responsável pelo não retorno da inflação. O entendimento ali expresso é o de que a demanda será retomada principalmente graças à queda dos juros, redução do IOF, recuo da inadimplência, renegociação de débitos tributários e ao aporte de novos recursos para a construção civil.
A retomada, assim, deverá ser movida a crédito e em setores que dispõem de grande capacidade ociosa. A análise prevê ainda um Natal forte em vendas, considerando que será o primeiro em três anos que ocorre sem grandes crises externas ou internas. Com relação à balança comercial, o texto avalia que as mudanças nas contas externas, resultantes da desvalorização, serão sólidas, mas os resultados concretos ainda vão demorar um pouco. Uma previsão otimista, que colide em certos aspectos com alguns problemas que surgiram recentemente, mas que pode ser considerada adequada diante da situação.
Com efeito, algumas das medidas adotadas nos últimos meses produzem, a longo prazo, esperanças positivas. Quando o governo resolveu desvalorizar a moeda, no começo do ano, atendeu a uma situação real de mercado. Alguns analistas mais apressados acreditavam que só esta medida poderia provocar uma rápida reversão no quadro do balanço comercial, na medida em que encarecia as importações e tornava os produtos brasileiros mais competitivos. Desconheceu-se, na análise, todo o processo atual da economia mundial, as dificuldades para a conquista de mercados, o protecionismo que ainda impera em muitas áreas. O efeito da desvalorização do real, em princípio, foi mais negativo para a população. Entretanto, é uma medida que, a longo prazo, e mantida uma política de correto acompanhamento cambial, dará os resultados esperados.
Adicionalmente, as medidas mais recentes relativas aos juros surgem também como um fator de vital importância no processo de recuperação da economia. Mesmo com o fim da indexação, e a queda efetiva da inflação, os juros praticados no País continuavam muito elevados. As taxas praticadas até agora constituem um verdadeiro problema, a dificultar o investimento, com todas as suas consequências. A decisão das autoridades monetárias de agir de modo direto sobre as taxas de juros que atingem o cidadão deve produzir frutos na medida em que a redução prosseguir. Dinheiro mais barato estimulará a atividade econômica. A perspectiva, a médio e longo prazo, é sem dúvida positiva. O problema que resta é o fato de o País estar ainda vivendo uma fase dura e em que ponderável parcela da população reclama e necessita de soluções mais rápidas, o que parece difícil de se conseguir neste peculiar momento da economia nacional e mundial.





