PREVIDÊNCIA PRIVADA - Mercado está em alta
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quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
A diminuição dos rendimentos após a aposentadoria tem levado muitos trabalhadores a fazerem planos de previdência privada. O superintendente-geral da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir da Silva, falou à FOLHA sobre as modalidades de previdência privada oferecidas no Brasil, os cuidados para se contratar um plano e perspectivas de crescimento do setor.
Como funciona a previdência privada, como beneficio complementar?
Temos os planos complementares coletivos e a previdência individual. A complementar coletiva é de iniciativa das empresas, dos seus empregados e mais recentemente através das associações de classe e seus associados. Esse é um sistema de capitalismo social, porque são os próprios indivíduos que estruturam seus planos, é uma previdência que não visa lucro. Todos os investimentos e resultados são revertidos para os participantes. Existe também a previdência lucrativa que é a individual oferecida por bancos ou outras instituições. É importante ressaltar que essa previdência não substitui a previdência básica, ela a complementa.
Quais as expectativas de crescimento e os números de hoje?
Estimamos que o grande crescimento vai se dar através da previdência associativa. Hoje temos 1,8 milhão de contribuintes, o patrimônio é de R$ 385 bilhões, equivale a 17% do PIB do Brasil. Na previdência associativa temos 130 planos e quase R$ 150 milhões. Aposentados somam 625 mil, recebendo um benefício médio de R$ 3.581 por mês. A expectativa é que nos próximos 10 anos venha a atingir 25% do PIB.
Por que a previdência coletiva oferece mais vantagens?
Além da disciplina tem também a questão do valor agregado, quando se está em um bolo maior o resultado é muito melhor. A pessoa quando está entrando no mercado de trabalho já deve pensar na sua previdência privada porque vai ficar muito barato. Uma outra vantagem de qualquer previdência é que a contribuição pode ser deduzida do imposto de renda, se ficar por mais de 10 anos há uma alíquota regressiva, poderá chegar a 10%.
Há segurança para quem investe?
Sem dúvida. Há um grande trabalho de controle e supervisão baseada em risco que dá tranquilidade. O gestor de um fundo de pensão tem uma responsabilidade muito grande, inclusive seu patrimônio pessoal pode ser utilizado no caso de haver problemas. Outra característica é a participação do interessado nos conselhos fiscais e deliberativos, aferindo resultados e cobrando gestão. Outro ponto é a profissionalização dos gestores. Hoje é muito difícil ter uma situação de inadimplência sem que o fundo sofra uma intervenção ou até mesmo uma liquidação.
Como avaliar para se fazer um bom investimento no caso de planos individuais?
Primeiro ter disciplina. Depois, escolher um boa instituição financeira, que não tenha probabilidade de deixar de existir. Analisar os custos, porque há variação nas taxas, saber qual tem sido o histórico de rentabilidade do plano. O grau de transparência que a instituição oferece. Existem excelentes planos nessa área, é uma questão de oportunidade. Agora, tem que ter sempre em vista que essa é uma atividade lucrativa, quem oferece visa lucro. Se não tem alternativa de estar em uma previdência associativa ou de uma empresa, que na minha opinião são os melhores, então existem as alternativas do mercado.
Qual a forma de estabelecer os valores?
O que normalmente se faz é estabelecer uma meta, quando quer se aposentar e quanto quer receber e dilui isso no tempo em que vai contribuir.
Qual o desafio das instituições que oferecem o serviço?
Levar ao conhecimento das pessoas a existência das alternativas ou pelo menos dar ao futuro aposentado a condição do exercício da plena cidadania, que não se aposente da vida.


