Prevenir agora para não chorar no verão
A chuva que atingiu o Paraná nos últimos dias fez reaparecer uma preocupação. Os municípios paranaenses estão preparados para enfrentar as consequências dos problemas provocados por enchentes? Dois dias de chuva foram suficientes para desabrigar famílias em 19 localidades. Segundo dados da Coordenaria de Defesa Civil (Cedec) e do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), 1.182 pessoas tiveram que deixar suas casas, 344 residências foram danificadas e 13 destruídas. Os municípios de Cerro Azul, no Vale do Ribeira, e Ponta Grossa, foram os mais prejudicados. Muita gente perdeu móveis, eletrodomésticos, roupas, casas, além do prejuízo na agricultura e nas estradas.
Os estragos não foram tão grandes quanto os registrados pelas fortes chuvas que atingiram a região litorânea do Paraná em março deste ano, causando alagamentos e desmoronamento de terra. Estruturas urbanas foram gravemente danificadas, com quedas de ponte, estradas destruídas e abastecimento de água e energia interrompido. Duas pessoas morreram. Na época, o governo estadual calculou o prejuízo em torno de R$ 88 milhões.
Famílias da Região Metropolitana de Curitiba e Litoral ainda nem conseguiram se recuperar da tragédia de março e foram surpreendidas novamente com os alagamentos desta semana. Felizmente, ninguém ficou ferido. Mas os moradores das áreas de risco precisam ficar atentos aos alertas da Defesa Civil. Bombeiros percorreram pontos perigosos de Antonina, segunda-feira, aconselhando que 800 pessoas deixassem suas casas por causa do perigo de deslizamento de terra. Apesar da apreensão, a grande maioria se recusou e não quis ser levada para abrigos da prefeitura. O medo de perder os bens materiais era maior do que perder a vida.
O poder público precisa fazer a parte dele no que se refere a colocar em prática um plano de contingência a desastres naturais. Planejar com antecipação e prevenir riscos é fundamental para que vidas sejam poupadas. Isso envolve mapear áreas perigosas, instalar sistemas de alerta, assim como transferir as famílias dos terrenos com perigo de inundação e deslizamento. Mas os moradores também têm que colaborar. Esconder-se dos bombeiros que avisam sobre o risco de um desastre não é a decisão certa. E a temporada de chuva, que vem com o verão, ainda nem começou.





