Prevenção a desastres
A resposta dos governos quando ocorre algum desastre natural ou não sempre parece lenta aos olhos da população atingida. Traduzida em estatísticas, essa percepção pode ser considerada verdadeira, uma vez que quase metade dos 5.570 municípios não tinham, até o ano passado, nenhum instrumento para prevenir e enfrentar desastres naturais. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontou 48% dos municípios nessa situação, enquanto o restante das cidades tem pelo menos um mecanismo de defesa.
Esse número se mostra insuficiente, uma vez que a mesma pesquisa apurou que até mesmo municípios atingidos frequentemente por desastres naturais não contam com mecanismos de defesa. Sabe-se que mudanças climáticas, provocadas pelo aquecimento global, tendem a aumentar a intensidade de fenômenos como temporais, vendavais, entre outras ocorrências. E se esses desastres não podem ser evitados, certamente os seus impactos podem ser minimizados. Além da falta de preparo das autoridades para lidar com situações como essas, falta a cultura de uma política de prevenção.
No Paraná, por exemplo, nos últimos dez anos, 370 dos 399 municípios paranaenses ou 92,7% do total foram atingidos pelos tipos mais comuns de desastres, segundo levantamento fornecido pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Paraná. É um número bastante alto porque, em caso, de danos e desabrigados, a maioria dos atingidos, geralmente é a população mais pobre. Por isso, políticas de prevenção e de enfrentamento
dos danos se mostram tão importantes. Se o município já tiver elaborado um plano de contingência de riscos e prevenção, por exemplo, o recebimento de recursos federais em caso de ocorrência de tragédias é facilitado.
Além disso, a consciência ambiental é importante. Embora conceitos como sustentabilidade, reciclagem, reutilização, preservação ambiental, entre outros, estejam em voga, muitas pessoas não se atentaram para a sua importância. Outro importante trabalho a ser desenvolvido é junto à comunidade afetada. Áreas de risco devem ser desocupadas, mas na maioria dos casos essas famílias resistem em deixar o local porque não têm para onde ir. Programas habitacionais poderiam alojar essa população, mas é importante o monitoramento constante para que esses locais não voltem a ser ocupados.





