Aos 25 anos e no auge da forma física, o jogador de basquete Nenê, que atua na NBA, a milionária liga de basquete norte-americana, teve um tumor removido dos testículos. Um exemplo isolado? Para muitos urologistas, não. Nesta entrevista, o urologista londrinense Armando Diniz fala sobre os riscos da doença e a importância dos exames preventivos, principalmente entre os mais jovens. ''A incidência em torno dos tumores malignos que atingem o homem fica em 1%, um índice relativamente baixo. O problema é que o câncer de testículos se dá dos 15 aos 40 anos, no auge da juventude e da idade produtiva dos homens''.

Como o câncer de testículo é detectado?
O câncer de testículo é um tumor que, entre a população adulta, é maligno em 95% dos casos. O diagnóstico é feito com auto-exame, quando o paciente nota algum nódulo ou alteração na textura e na consistência do testículo ou pelo exame de imagem, principalmente ultra-som, que é o mais utilizado para o diagnóstico.

Uma vez detectado, qual o tratamento?
O tratamento é cirúrgico, através da orquiectomia radical, retirada integral do testículo sem a violação da bolsa escrotal. Posteriormente, o material é encaminhado para exame, que nos mostra o tipo de tumor para definir tratamento posterior, que pode incluir só cirurgia, ou então quimioterapia, radioterapia, e ainda uma cirurgia complementar chamada linfadenectomia retroperitoneal.

Há sequelas?
Se o tumor for detectado em sua fase inicial, a pessoa volta à vida normal, seu rendimento é o mesmo, há cura completa. Agora, se for uma doença avançada com metástases pulmonares, cerebrais e linfáticas, aí então esse paciente tem um prognóstico muito ruim. Embora de alguns anos para cá, à custa de avanços como a quimioterapia, a gente consiga resgatar e curar pacientes que alguns anos atrás eram dados como perdidos. A maior incidência, entre adultos, é de tumores malignos, divididos em mais e menos agressivos. Existem os benignos, mas são raros.

De quanto é a incidência de tumores malignos?
Fica em torno de 1%, um índice relativamente baixo. O problema é que a incidência se dá dos 15 aos 40 anos, basicamente no auge da juventude e da idade produtiva dos homens.

O que é inadmissível, em se tratando do câncer de testículos?
Não podemos admitir que o nódulo passe despercebido e chegue a uma idade avançada. Daí a importância do auto-exame, embora existam tumores que são microscópicos, detectados através do exame de imagem.

E há motivos para o tumor nos testículos ser mais frequente em jovens? O fator genético contribui?
Não. São tumores de origem germinativa, isto é, a pessoa já nasce com propensão e tendência a desenvolver esse tumor. Por isso uma maior detecção em jovens. Enquanto a maioria dos casos de câncer são degenerativos - quanto mais velha a pessoa, maior a incidência - no caso do testículo ocorre o contrário.

O caso envolvendo o jogador Nenê serve como alerta?
Com certeza. O episódio envolvendo um jogador de basquete com projeção mostra a importância do auto-exame. Não custa nada o paciente analisar o testículo, tal qual a mulher examina a mama. Casos mais grosseiros podem ser detectados e, em segundo lugar, existe a questão da criptorquidia, a ausência do testículo na bolsa - que é um problema congênito - e a infertilidade, cujos pacientes devem ser investigados mais apuradamente. O mais importante é: notou qualquer alteração, principalmente porque o nódulo é geralmente indolor no testículo, está na hora de procurar um médico.

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