Presos e fuga
Carceragens instaladas nas regiões centrais da cidade têm se tornado um problema, principalmente para a vizinhança. Superlotados, com risco iminente de fuga e com poucos policiais de plantão principalmente aos finais de semana, como é o caso da maioria das delegacias e presídios de Londrina, os moradores vivem em constante tensão. A fuga de 64 presos que estavam na carceragem do 4º Distrito Policial, na zona sul de Londrina, no domingo à noite reacendeu a discussão. O local tinha capacidade para 24 homens, mas abrigava 114 detentos.
O assunto é grave, tanto que está marcada para hoje reunião com representantes da Vara de Execuções Penais, dos distritos policiais de Londrina e do Departamento de Execução Penal (Depen) para discutir o assunto. A solução, porém, é difícil. A população carcerária cresce mais rapidamente do que a abertura de vagas no sistema e os recursos nem sempre são alocados para essa finalidade. No entanto, também deve-se lembrar que o atual modelo pouco atua na ressocialização. Amontado de pessoas em condições subhumanas não contribuem para reduzir o problema da violência no Brasil.
O sistema carcerário brasileiro precisa ser modernizado. O País detém a terceira maior população presa do mundo e, portanto, é preciso oferecer condições reais de ressocialização. Trabalho, educação e um sistema judiciário que funcione são o mínimo que se pode oferecer. Além disso, a realização de mutirões pode contribuir para que presos que já cumpriram suas penas sejam libertados, desafogando o sistema. Alternativas ao cumprimento da pena em regime fechado, como a implantação das tornozeleiras eletrônicas, também poderiam ser ampliadas.
O debate tem que ser aberto e as discussões devem ser aprofundadas. O único cenário que não pode perdurar é o atual. População acuada em sua casa, presos amontoados, falta de policiais para fazer a guarda e poucos na rua em rondas. Essa situação não pode continuar.





