Presidente quer a paz de fato em Angola
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 1996
Das agências e da Redação 
Nas conversas que terá com políticos e diplomatas angolanos, FHC pretende deixar claro que a política externa brasileira entende que está mais do que na hora de o Movimento Popular para Libertação de Angola (MPLA), o partido no poder, e a União Nacional para Independência Total de Angola (Unita), a guerrilha de oposição, chegarem a um acordo que de fato traga a paz. Depois de 20 anos de luta interna, os dois grupos políticos fecharam um acordo de paz em 1994, mas ainda não conseguiram efetivá-lo no dia-a-dia da vida do país.
Do lado político, o presidente Fernando Henrique Cardoso pretende atingir numa mesma visita os públicos interno e externo. Em setembro de 1995, desembarcaram em Angola 1.130 militares e policiais brasileiros, que integram a Unavem-3 (Missão de Verificação das Nações Unidas em Angola). FHC gastará boa parte da viagem para visitar a tropa do Brasil, instalada em Kuito, região centro-leste de Angola. Esta visita tem visa ao público interno brasileiro. Com o encontro com os soldados, o presidente pretende agradar a um setor que vem reclamando mais atenção, principalmente com relação a verbas - as Forças Armadas.
Como forma de mostrar boa vontade com os angolanos, o Brasil doará US$ 200 mil ao governo do presidente José Eduardo dos Santos, para serem utilizados no Programa de Reabilitação Comunitária e Reconciliação Nacional.
Fernando Henrique almoçou em São Paulo e embarcou às 14 horas para o Rio de Janeiro. O almoço com o governador do Estado, Marcelo Alencar, foi cancelado. O presidente seguiu direto para a base naval e, à noite, participou de um jantar no Itamaraty com os representantes do Comitê Olímpico Internacional. Hoje às 7h30, Fernando Henrique embarca para Angola.


